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866 mortes/dia.

Quando celebramos a morte de apenas 866 brasileiros, por Covid-19, nada mais revelador sobre a nossa tragédia.

  No último domingo, seguido de um feriadão, o que poderá sugerir que tenha havido subnotificacão das mortes por covid-19, ainda assim, sentimo-nos um tanto quanto gratificado, posto que, nos meses de fevereiro e março últimos, o número de mortes por Covid-19 havia atingido os aterrorizantes patamares de 2.500 mortes diárias.

  Quatro aviões do tipo Boeings, lotados, conduzem aproximadamente 866 passageiros. Portanto, as mortes acontecidas no último domingo, por covid-19, equivalem ao acidente de quatros boeings, sem que deles tenha restado um único sobrevivente.

  Os dados acima revelam o quanto erramos no enfrentamento a Covid-19, erros estes cometidos pelas nossas autoridades políticas e por parte de alguns dos nossos médicos sanitaristas, sobretudo, por aqueles que apostaram no tratamento precoce, via remédios, para deter tão letal doença. Registre-se também que, parte de nossa população, passaram a crer que bastaria a cloroquina e outros fármacos, para se vêm são e salvos.    

  Quando do surgimento da Covid-19 e quando tudo à seu respeito era ignorado, sobretudo, pela própria ciência, as tentativas de prescrever determinados remédio, até se admitia, entretanto, após verificado pela OMS-Organização Munidal de Saúde e por todos os mais gabaritados centros científicos do mundo quem nenhum remédio tinha a menor eficácia, restava-nos tão somente esperar pela descoberta de uma ou várias vacinas que pudessem nos imunizar.

  O Brasil possuiu um elevado plantel de médicos, segundo o CFM-Conselho Federal de Medicina, algo em torno de 500.000. Deles, e em consonância e coordenação do nosso Ministério Saúde, esperávamos que surgisse um protocolo único, igualmente acordado pelos Estados e municípios, qual devesse ser o comportamento da nossa sociedade para evitar a sua proliferação.

  Lamentavelmente, não mais de 1% dos nossos médicos continuaram a defender o chamado tratamento precoce, e não menos que 99% deles só apostavam na vacinação em massa. Entretanto, nem mesmo esta brutal desproporcionalidade conseguiu reverter os 1% de médicos que continuaram pregando o tratamento precoce. Até chegaram a instituir um movimento que denominaram de “médicos pela vida”. Para os seus integrantes a cloroquina seria o bastante para evitar que qualquer indivíduo fosse contaminado pela Covid-19, e em sendo, que o referido remédio seria o bastante para salvar a sua vida.

  Se o negacionismo existe em todas as atividades humanas, na política, na religião, entre outras, em se tratando de vidas humanas, jamais.   

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