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Regulamentação, sim

Erra profundamente, quem compara regulamentação dos nossos meios de comunicação com censura

        A imprensa livre é um dos pilares dos países que se dizem democráticos, ainda assim, não estamos a tratar de um direito que possamos considerá-lo como absoluto, isto porque, a cada direito corresponde um dever. Isto dito, a liberdade de expressão tem os seus próprios limites, entre eles, o da responsabilidade, notadamente, a partir do advento da internet.

        Em um das suas freqüentes aulas inaugurais, a última, proferida na Universidade de Milão, o imortal Humberto Ego assim se pronunciou: “as redes sociais dão o direito a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de algumas taças de vinhos, sem prejudicar a humanidade. Então eram rapidamente silenciados, mas, agora, tem o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”.

       Dito e feito. Ainda bem que, cada vez mais, menos os imbecis que tomaram de assalto as nossas redes sociais são acessados, isto porque, ao invés de informarem, prestam-se tão somente para desinformarem. Diria até, e em sua grande maioria, trabalham a soldo, ou seja, conforme rigorosa e vigiada encomenda, portanto, contrariando a celebre frase de Santo Agostinho: “prefiro as críticas que me corrigem a bajulação que me corrompe”. Aqui e alhures encontramos, e aos montes, os bloqueiros que prestam seus serviços aos detentores de poder, político e/ou econômico.

      Como a opinião pública é formada pelas opiniões que são publicadas, urge que separemos o joio do trigo, ou seja, que sigamos as opiniões daqueles que nos aprimoram e esqueçamos àqueles que nada têm a nos oferecer.  

        A liberdade de opinião não permite a incitação aos crimes, e em particular, aos assassinatos de reputações. Portanto, quem assim procede, estará cometendo um crime. Não é demais lembrar que o ônus da prova, contra quem quer que seja, cabe a quem acusa.  

      Particularmente, chego a sentir nojo quando eventualmente dou de cara com as opiniões emitidas por alguns bloqueiros, alguns deles, completamente imbecis, sobretudo, quando divulgam opiniões que dizem respeito a nossa atividade política.

      Daí a urgente necessidade de se regulamentar o uso das nossas redes sociais e de parte da nossa imprensa propriamente dita. Isto não é censura, e sim, um instrumento capaz de evitar que a mentira, modernamente rotulada de fake News acabe influenciando à nossa opinião pública.

      Que o nosso TSE-Tribunal Superior Eleitoral, pelo aparente acirramento dos ânimos dos nossos diversos presidenciáveis, seja capaz de conter a indústria das fake News e punam com o devido rigor todos aqueles que insistirem em desvirtuar os nossos processos eleitorais. Das eleições de 2022 depende que saiamos do emaranhado de crises que nos encontramos.

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