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Chega de assassinatos

                  Dar o exemplo não é apenas a melhor maneira de influenciar os outros. Via de  regra, é a única.                                  

         Na luta pelo poder, nós, brasileiros, acabamos metidos numa guerra que acabou resultando no que de pior poderia acontecer: num verdadeiro assassinato de reputações. Ou daremos um basta nisto, e com urgência, ou a nossa convivência política se inviabilizará e com graves conseqüências para a nossa própria democracia e, sobretudo, para a nossa convivência social.

.        A disputa pelo poder, diga-se de passagem, é essencialmente importante em toda e qualquer democracia que se preze, conquanto que, o poder pelo poder não seja transformado numa guerra do tipo “dente por dente e olho por olho”, isto porque, sempre que isto acontece, salvo raríssimas exceções, só restam cegos, banguelas e cadáveres.  

.        No seu best-seller “Como as democracias morrem”, o cientista político e professor da Universidade de Harvard, Steven Levitky, com extrema sabedoria e experiência revela as causas que levaram ao enfraquecimento de todas as democracias, e em particular, a nossa. A propósito, desde a nossa disputa presidencial de 2014 que, de lá para cá, e sempre num crescendo, praticamente todos os nossos políticos repousam nas covas de alguns cemitérios, e em suas lápides, deveriam constar o seguinte: aqui jaz “fulano de tal” por não ter resistido o assassinato de sua própria reputação.  

.        Em 2014, a disputa em segundo turno se dera entre a então presidente Dilma Rousseff, candidata a reeleição e Aécio Neves, este por sua vez, a mais brilhante estrela do chamado tucanato. Resultado: já nas eleições seguintes, as de 2018, ambos haviam se transformado em estorvos dentro dos seus próprios partidos.

         Nas eleições de 2018 e com o PSDB aos frangalhos, a polarização se deu entre o bolsonarismo e o lulismo, e não entre PSL e PT, até porque, do PSL, o então candidato Jair Bolsonaro só precisou pegar carona em sua sigla, isto para atender a uma das imperativas exigências da nossa ineficiente e frouxa legislação eleitoral. Resultado: o segundo turno veio se dá entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, este por sua vez, escudado no prestígio do ex-presidente Lula. Portanto, ao invés de duas candidaturas, a disputa se deu entre dois não candidatos. Eu, particularmente, votei em Fernando Haddad, seguindo a lógica do mal menor.

.        Este ano a luta se dará ao nível municipal. Daí a pergunta que se impõe: qual o clima em que as tais disputas se darão? Para a nossa capital, em especulação, já contamos com, no mínimo, meia dúzia de pré-candidatos. Nada contra, conquanto a disputa venha se dá em níveis elevados, e não, à base das agressões. Do contrário, aos nossos eleitores restará escolher àquele melhor se sair no troca-troca de acusações, e não aquele que esteja à altura para administrar a nossa carente e problemática capital.

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