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Amizades e interesses

Nos relacionamentos entre países sempre prevalecem os seus interesses e não as eventuais amizades

    O Brasil veio a compor um grupo de países que se insurgiram contra a Venezuela e motivados por uma razão bastante razoável: o seu regime tornou-se francamente antidemocrático e veio a se acentuar com a assunção do seu atual presidente, Nicolas Maduro, este por sua vez, imagem e semelhança do seu antecessor, Hugo Chaves, um sujeito dotado de vocações autoritárias e detentor dum passado politicamente conflituoso.          

    Tudo contra e nada a favor em relação ao comportamento do seu atual presidente, Nicolas Maduro. Tudo a favor e nada contra a Venezuela e a sua população. Portanto, qual foi o nosso grande erro? Sem dúvidas, foi o de termos, enquanto o maior e mais importante entre todos os países sul-americanos, o de ter abdicado o papel para o qual lhes estava reservado, qual seja, o de principal mediador dos seus recorrentes conflitos. 

    Daí a pergunta que não pode calar? Entre a Venezuela e a Arábia Saudita, qual dos dois países é o mais antidemocrático? Sem dúvidas, a Arábia Saudita. E mais ainda: lá a alternância do poder se dá de forma hereditária e monárquica, cujo rei torna-se mesmo tempo chefe de Estado e de governo. Este sistema foi estabelecido pelo rei Abd Al Aziz al Saud, cujo poder só poderá ser exercidos pelos seus filhos e netos. A partir dele, o seu parlamento passou a ser composto por integrantes indicados pelo próprio. . Além dos poderes absolutos exercidos pelo seu monarca, a Arábia Saudita tem demonstrado o mais profundo desprezo aos direitos humanos. Disto, o mundo inteiro tem consciência, ainda assim, a sua convivência com as mais saudáveis democracias do mundo vem se dando dentro da mais perfeita normalidade.

     A exceção do Irã, com quem disputa o domínio regional, as diferenças religiosas entre ambos têm estimulado os seus recorrentes conflitos, embora ambos se digam seguidores do islã: O Irã majoritariamente xiita e a Arábia Saudita, predominantemente sunita. Na realidade as exuberantes reservas de petróleo sejam as principais causas.

    Não é demais lembrar que ao final da 2ª guerra mundial, de aliados contra o nazismo, a outrora URSS e os EUA estabeleceram a chamada guerra fria e que se arrastaram por longos anos. Presentemente, pela hegemonia mundial, o confronto vem se dando entre a China e os EUA.

    No passado, a nossa diplomacia era uma das mais prestigiadas do mundo, não apenas quando chamado a arbitrar quaisquer conflitos, bem como, na tentativa de evitá-los. A fama internacional do nosso Itamarati decorreu exatamente das habilidades dos nossos embaixadores em buscar prevenir e não apenas remediar as crises. Em relação ao truculento regime venezuelano, o nosso país jamais poderia ter deixado de ser mediador.

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