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Democracia à brasileira

Collor e Bolsonaro elegeram-se presidente da nossa República, filiados a dois inexpressivos partidos

       Se a base das democracias que se prezam são os partidos políticos, pois é através deles que os nossos eleitores se orientam para exercer o que denominamos de soberania popular, qual a explicação que levou o ex-presidente Fernando Collor a se eleger filiado ao PRN e o atual presidente, Jair Bolsonaro a se eleger filiado ao PSL?  O PRN sequer mais existe e dado o afastamento do presidente Jair Bolsonaro do PSL, ou este desaparecerá ou voltará o que era: um partido nanico, isto graças à proibição das coligações partidárias nas eleições parlamentares e instituição da cláusula de barreira.  

       Nos EUA e no Reino Unido, isto seria possível? Certamente não. E por que não? Porque neles a figura do salvador da pátria não encontra amparo em suas próprias legislações. Lamentavelmente, no nosso país, os nossos partidos pouco ou nada representam. Tomemos como exemplo três das mais expressivas figuras do nosso mundo político: Jair Bolsonaro, Fernando Collor e Ciro Gomes. Todos estes já pertenceram a no mínimo meia dúzia de partidos políticos distintos.

     Quando da proclamação da nossa República os seus mais destacados precursores, já em sua nascente, assim reagiram: esta não era a República dos nossos sonhos. Igualmente poderemos dizer: esta não é democracia dos nossos sonhos, até porque, com a fragmentação partidária existente nas nossas Casas parlamentares, a nossa governabilidade passa a depender de toda sorte de negociatas, condição “sine qua non”, para compor a maioria parlamentar que tanto necessitará.    

     Em persistindo a nossa atual legislação partidária e eleitoral a qualidade da nossa democracia jamais melhorará. Definitivamente, só piorará. Enquanto isto, quanto mais se fala em reformar a nossa legislação, inclusive as de ordem constitucional, aquela que seria a primeira das reformas, no caso, a reforma política, sequer entra em pauta.

      Com representantes de mais de 25 partidos políticos presentes no nosso Congresso Nacional, a não ser que o presidente de plantão decida partir para as negociatas, não conseguirá aprovar as suas propostas. Outra não foi à causa que levou o presidente Jair Bolsonaro a buscar o centrão para dar-lhes o mínimo de sustentação política e congressual. Detalhe a ser considerado: o centrão que ora está apoiando o presidente Jair Bolsonaro é o mesmo que apoiou todos os seus antecessores e que virá apoiar àquele que vier se eleger nas eleições de 2022, seja o próprio Jair Bolsonaro, caso consiga se reeleger, Lula, Ciro Gomes, João Dória ou qualquer outro. 

     Decerto uma coisa: a fragmentação partidária nas nossas casas legislativas só fará piorar a qualidade da nossa democracia, ainda assim, pouca e nenhuma atenção tem sido dada a nossa reforma política.

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