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Em nome do povo

       Quais as condicionantes indispensáveis para que alguém se arvore a falar em nome do povo.

      O povo brasileiro não dispõe de um único representante autorizado a falar em seu nome. O próprio Lula, recém-eleito para exercer um 3º mandato de presidente da nossa República, obteve 51% dos votos válidos, seu adversário, Jair Bolsonaro 49% enquanto os votos brancos, nulos e as abstenções ultrapassaram os 20%.

     Lamentavelmente, a polarização que se estabeleceu desde a fase pré-eleitoral foi avançando até os dias que antecederam as realizações do 1º e 2º turno das eleições próximas passadas. Resultado: para além de impossibilitar o surgimento de uma 3ª candidatura com musculatura eleitoral para chegar ao 2º turno só veio contribuir para o aprofundamento da polarização que ainda persiste a despeito do TSE-Tribunal Superior Eleitoral já haver declarado a candidatura Lula como vencedora.

     Como os extremistas preservam um vício em comum, o de só aceitaram os resultados que lhes interessa, seja na atividade política ou em qualquer outra, a exemplo do que aconteceu nos EUA, o derrotado Donald Trump se insurgiu contra a vitória de Joe Biden e passou a alimentar uma insurgência que resultou na invasão do Capitólio. Isto no país que diz ser o mais zeloso com a sua própria democracia.

     Aqui no Brasil, guardada as devidas proporções, se ainda não podemos afirmar o que vai acontecer já podemos afirmar que algo semelhante vem passando pelas cabeças dos alguns fanáticos. Reporto-me não ao povo brasileiro, mas a uma razoável parcela dele, a se destacar, àquela que partiu para a desordem e que a todo custo promovem toda sorte de indisciplina, muitas delas previstas como crime no nosso arcabouço legal.

    Claro que esta gentalha não fala em nome do povo brasileiro, sim e tão somente, em nome da parcela com a qual se mantém acumpliciada. Embora não devesse sair da boca do Ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, dada a liturgia do cargo que exerce, particularmente, como posso, faço minhas as suas palavras e respondo aos derrotados nos seguintes termos: “perdeu Mané, não amola”. O referido ministro diz lamentar ter sido o autor da referida expressão, mas não se diz arrependido. Corretíssimo.

    As células de arruaceiros que contestam os resultados da disputa Lula/Bolsonaro precisam parar de dizer que falam em nome do povo, e do meu, em particular. Digo mais: se o presidente Jair Bolsonaro tivesse se reelegido o teria respeitosamente como meu presidente.

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