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Vontade política

    Determinadas vontades políticas não podem se materializar por questões fiscais, legais e morais.

   Quem mais demora a fazer promessas é quem as cumprem mais rapidamente. De outro lado, àqueles que facilmente prometem, não tardará a se desonrarem, motivados pelo não cumprimento de suas próprias promessas. Não raro, muitas delas são literalmente esquecidas.

   Na atividade política, sobretudo nos períodos pré-eleitorais uma grande parte dos candidatos promete o que jamais poderão cumprir e por vezes chamam para si próprios as responsabilidades que sequer são atribuições dos mandatos para os quais foram candidatos.  

    A desmoralização da nossa nobre e indispensável atividade tem sua origem no não cumprimento das promessas feitas pelos nossos representantes políticos, ao tempo em que eram candidatos. No mês de março, próximo passado, através de uma vergonhosa malandragem, que recebeu o nome de janela partidária, mais de uma centena de congressistas fugiram dos partidos através dos quais foram eleitos e foram se agasalharem em outros, presumivelmente, movidos por interesses próprios, ou no mínimo, inconfessáveis. 

    Coerência política para melhorar a nossa democracia, sem dúvidas, é o que nos tem faltado. Reporto-me as mudanças que não agridem os nossos orçamentos públicos e não encontra barreiras legais para que se processem as mudanças da nossa anárquica legislação político-eleitoral.  

   Se nas democracias que minimamente se prezam os partidos são mais importantes que os seus próprios candidatos e até mesmos para alguns dos detentores de mandatos, nada justifica que seus integrantes troquem de partido, seja qual for à motivação e levando consigo o próprio mandato. A fidelidade, em todos os sentidos, inclusive na atividade político-partidária, constitui-se num valor a ser respeitado, do contrário, se estabelece a bagunça que tomou conta do nosso país.  

   O caráter de natureza política de quem se propõe a nos representar, depende muito mais do partido a que pertence um parlamentar do que do próprio candidato. Já está mais que provado que é bem mais fácil se corromper um parlamentar do que o seu conjunto partidário.

  Saíram das urnas do último dia 2 de outubro 513 deputados federais e foram preenchidas as 81 vagas do nosso senado, ao todo, pertencentes a mais de 25 partidos políticos distintos. O partido que elegeu o maior número de congressistas foi o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, ainda assim representando menos 20% do seu total.

   Daí a pergunta que se impõe: o que fará aquele que vier se eleger presidente para formar as maiorias que irá precisar para aprovar seus projetos? As barganhas e as negociatas que levam a corrupção.

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