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A volta do cipó

Os resultados da Operação Lava-Jato, tal qual um cipó de arueira, ameaçam os lombos de quem mandou bateu.

         Seu primeiro erro foi pensar que havia descoberto o que meio mundo já sabia, qual seja: que a nossa corrupção era sistêmica. Portanto fez, tão somente, o que alguns doidivanas continuam fazendo na tentando reinventar a roda, isto porque, onde estiver o poder, a rondá-lo, invariavelmente, estará o fantasma da corrupção. Conclusão: enquanto existir o poder existirá corrupção. Daí a necessidade de sê-la permanentemente combatida, logicamente, dentro da lei e da justiça.   

.        Segundo erro: permitiu que a fama embriagasse os seus integrantes, e em particular, a dupla “Sérgio Moro/Deltan Dallagnol” ao tempo que nenhum dos dois estivesse preparado para absorvê-la. Terceiro: transformou uma operação que deveria ser essencialmente jurídica, num instrumento de ação preferencialmente política. Quarto erro: nada fez no sentido de eliminar as suas causas. Quinto erro: seguiu o que a Operação Mãos Limpas havia feito nos seus primórdios, sem se preocupar com as suas conseqüências. Na Itália, por exemplo, a Operação Mãos Limpas resultou na chegada de Sílvio Berlusconi ao poder, este sim, um corrupto de mancheias. Coincidências à parte, aqui no Brasil, a eleição do presidente Jair Bolsonaro teve muito a ver com o desenrolar da Operação Lava-Jato. 

         Todavia, entre tantos erros cometidos pela Operação Lava-Jato nenhum deles poderia ter sido mais prejudicial a nossa democracia do que ter criminalizado a nossa política, se só e somente só, pela via da política, poderíamos deter os turbilhões de roubalheiras existentes em nosso país. Como a criminalizou literalmente, e com especial orgulho, exibia em seus costumeiros espetáculos midiáticos, nos seus mais gloriosos momentos, levou a nossa população a falsa sensação que  extinguiria a corrupção existente no nosso país.  

         Sem pedir desculpas aos precursores do lavajatismo, tampouco aos seus seguidores, digo e reafirmo: quem criminaliza a política não pode dizer que o faz em defesa da democracia, e sim, do autoritarismo, ou mais precisamente, da ditadura, até porque, em tal regime, aí sim, a corrupção corre frouxa, logicamente, em favor dos tantos quantos detiverem o poder.

         Que a nossa democracia tem sido permissiva com a corrupção, não há o que se discutir, entretanto, se para combatê-la tiver que se criminalizar a política, e de forma generalizada, é a própria atividade política, e não os políticos que se envolveram em corrupção 0que sairá sacrificada.  O tempo testemunhará os trágicos resultados que a Operação Lava-Jato impôs a nossa democracia. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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