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Governabilidade

A nossa República nasceu mal nascida e da lá para cá não cuidamos de corrigir os seus vícios de origem

       “Esta não era a República dos nossos sonhos”. Por incrível que possa parecer esta expressão foi produzida pelos seus mais destacados precursores, entre eles, Saldanha Marinho, isto ao tempo em que tínhamos o marechal Floriano Peixoto na presidência da nossa recente República, este por sua vez, sucedendo o marechal Deodoro da Fonseca. Daí a nossa nascente República ter recebido a rotulação de República dos Marechais.

       Daí a pergunta que não pode calar: quais as causas que levaram o fim do nosso regime monárquico, se entre os seus feitos, o imperador D. Pedro II manteve a integridade física do nosso país e vivenciou a vitória da guerra contra o Paraguaio, além de demonstrar visíveis vocações republicanas?

        De todas as justificações, a pior delas diz respeito às insatisfações dos grandes produtores dos Estados de São Paulo e Minas Gerais com a decretação da lei Áurea, esta por sua vez, assinado pela princesa Izabel, desta feita, determinando o fim da nossa mão de obra escrava.

           Ainda assim, o poderio econômico dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, ao final da República dos Marechais, deu origem à chamada República do Café com Leite, na qual, e de forma alternada e combinada, os candidatos a presidência da nossa República deveriam ser indicados pelos referidos Estados.

        Dado a quebra do referido acordo, nas eleições de 1930, quando era a vez do Estado de Minas Gerais indicar o candidato a presidência da República, o então presidente Washington Luiz, pertencente à elite política de São Paulo  indicou o paulista Júlio Prestes para sucedê-lo.

         Embora Júlio Prestes tenha conseguido se eleger, sequer foi empossado, em razão da chamada revolução de 1930, esta promovida pelos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e a Paraíba. Resultado: embora derrotado nas referidas eleições, Getúlio Vargas acaba sendo empossado, e nele permaneceu por longevos 15 anos, parte do tempo, de forma ditatorial.

        Da República dos Marechais, passando pela República do Café e da sonhada nova República, prometida pelo então candidato Tancredo Neves, ao final do movimento revolucionário de 1964, uma coisa se tem como certa: todas as suas versões só nos deixaram a desejar.

       E o que esperarmos das eleições de 2022? Em princípio, apenas preocupações, afinal de contas, embora altamente combatida, a polarização Lula/Bolsonaro vê-se favorecida pela quantidade e não pela qualidade de quase uma dezena de candidatos que se dizem do centro e que estão dispostos a entrar na disputa. Se a virtude está no meio, ou seja, no centro,  como dizia o filósofo Aristóteles, se os nossos centristas não forem capazes de encontrar o seu próprio centro, Lula e Bolsonaro só terão a agradecê-los.

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