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Na raiz

Todas as nossas crises e outras que ainda virão, quando não criadas, são alimentadas pelos nossos representes políticos

 

   Reporto-me, de antemão, ao nosso sistema presidencialista, e no nosso caso, porque despossuído das estruturas partidárias minimamente capazes de dar-lhes sustentação. No Brasil, de tão disfuncional que foi e continua sendo, até mesmo a eleição do nosso presidente da República, o posto de maior projeção e poder da nossa República, independe dos partidos políticos. Por exemplo: Fernando Collor e o atual presidente, Jair Bolsonaro, elegeram-se, respectivamente, pelo PRN e pelo PSL, aos quais se filiaram apenas para possibilitar as suas pretensiosas candidaturas. O PRN teve vida curta e já se foi, e o PSL, nas eleições de 2022, muito provavelmente, no máximo, voltará o ser o que era, o partidozinho que sempre foi. A ver!

   Exceto, os EUA, o regime presidencialista só tem criado crises, algumas gravíssimas, e em quase todos os países que o adota. E por que deu certo nos EUA e não nos outros países? Porque lá, as suas instituições e, sobretudo, o seu sistema partidário, dá-se a respeito, e como conseqüência, é respeitado. Enquanto isto, no nosso continente sul-americano, as nossas crises, quando não, as ditaduras, recorrentemente, fazem-se presentes. Na segunda metade do século XX, diversos dos seus países estivem sob o comando de ditadores: A propósito, lembremos algumas deles: Brasil, Argentina, Paraguaio, Uruguaio, Peru e Chile.

   Presentemente, estamos na mais grave travessia de nossa história, posto que, para além das crises que já vínhamos enfrentando: a política, a econômica e a social, no decorrer do ano 2020 e no primeiro quadrimestre do ano em curso, não apenas o nosso país, mas tudo o mundo, foi submetido à pior crise sanitária, desde a gripe espanhola, e nada menos que 410.000 brasileiros já perderam as suas vidas vitimadas pela Covid-19.

   Portanto, combatê-la, a despeito de qualquer outra das nossas crises, há que ser a prioridade do nosso país, até porque, já não mais suportamos, ao final de cada dia, tomar conhecimento que mais de 2.000 brasileiros, e ao longo dos últimos dois meses, perderam as suas vidas. E o pior: ante esta carnificina humana, mas visando as eleições de 2022, os nossos políticos, ainda insistem em extrair dividendos eleitorais dessa tragédia.

   Que ao final da pandemia que ora nos atormenta, graças aos avanços dos nossos principais centros científicos do mundo, inclusive, os nossos, que seja dado prioridade a nossa forma de governo e que o nosso sistema político-partidário seja instituído, de forma a impossibilitar que as nossas Casas Parlamentares sejam compostas por representantes de cerca de 30 partidos, como vem ser o caso do nosso Congresso Nacional.

   Do contrário, as nossas crises jamais terão fim, posto que, nas democracias que se prezam, são pela via política que surgem suas soluções. 

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