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Inimigo inexistente

   No Brasil, os comunistas são tão pouquinhos que sequer precisamos tratá-los como um fantasma a ser exorcizado.

      Quando eu criança, tremia de medo quando ouvia dizer que alguém era comunista, já que era comum se ouvir dizer que comunista comia criancinhas. Também esperava, nas festas de finais de anos, pelo presente que o Papai Noel me trazia.

      Deixemos que o Papai Noel continue existindo, para alegria das criancinhas, e nos detenhamos ao comunismo e tomemos como exemplo a China, presentemente, o país mais capitalista do mundo. Como pode comunismo e capitalismo se harmonizar?

     Quer mais, então vamos lá. Os EUA, símbolo máximo do capitalismo mundial tem suas maiores potências econômicas instaladas na China. Isto dito equivale a se dizer que o comunismo morreu, exceto para uma pequeníssima parcela que insiste em crer em seus próprios fantasmas. No nosso país o que resta quando de comunismo vive arrastando a barriga pelo chão.   

     Dos 513 deputados federais e dos 81 senadores do nosso país quantos são assumidamente comunistas? No máximo encontraremos uma dúzia deles. Repito: no máximo. Até o atual senador Flávio Dino, ex-governador do Maranhão por dois mandatos, filiado ao PC do B -Partido Comunista do Brasil, entendeu que melhor lhes convinha se filiar ao PSB-Partido Solcialista Brasileiro, ou seja, excluir a denominação comunista do nome do seu próprio partido.

       Ainda assim, na última disputa pela presidência da nossa República, o comunismo foi transformado num inimigo perigosíssimo e a ser combatido. Parecia que nos encontrávamos na ante-sala do regime que agoniza em Cuba e na Correia do Norte. 

        Na China o regime comunista só se efetiva do ponto de vista político, por sê-la governada por um único partido. Lá, a alternância do poder difere do que acontece nas melhores democracias do mundo.

      Se governada pelo mesmo partido, o PCC-Partido Comunista da China leva o país a ser discriminado pelos defensores do regime democrático, no Brasil dá-se exatamente o contrário, justamente o número exagerado de partidos políticos, este o maior obstáculo para os detentores de mandatos executivos, em especial, o do presidente da República, posto que, para conseguir a maioria parlamentar que precisa só se consegue a base da barganha, ou seja, no já que se convencionou chamar de toma-lá-dá-cá. Não raro, as barganhas se constituem em algo plenamente condenável e inaceitável do ponto de vista moral e político.

       No meio das tantas reformas constitucionais que carecemos a primeira delas deveria ser a da nossa reforma político-partidária.

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