Colunistas

Ainda bem

 O fim das coligações das coligações nas eleições proporcionais, atrasadamente, veio em boa hora.

   Ainda assim, continuamos regidos pela pior, diria até, pela mais anárquica legislação político-eleitoral do mundo. Portanto, muito ainda há que ser feito para adequá-la, para que possamos considerá-la como democraticamente aceitável. Entretanto, o fim das coligações nas eleições proporcionais, foi um espetacular avanço. Pena que a cláusula de barreira, em percentuais baixíssimos, continuará possibilitando a fragmentação dos ocupantes das nossas Casas legislativas, e só no ano de 2030, atingirá os 3% dos votos nacionais, para que os partidos façam-se representados.

   Presentemente, o nosso Congresso Nacional é composto por representantes de mais de 25 partidos políticos distintos, alguns deles com um único representante entre os 594 congressistas. Isto não acontece nem mesmo nas mais atrasadas republiquetas do mundo. Esta é, com certeza,   uma jabuticaba genuinamente brasileira.  

   Esta fragmentação parlamentar é o que tem determinado a mercantilização e a conseqüente corrupção do nosso sistema político, posto que, para conseguir a maioria parlamentar que precisam os nossos governantes, e nos três níveis, presidência da República, governadores dos Estados e até mesmo os prefeitos dos nossos 5.560 municípios só a conseguem à base de negociatas. Do contrário, jamais conseguirão aprovar os seus projetos.

   Para melhor compreensão dos males que a fragmentação parlamentar provoca tomemos como exemplo a nossa ALEAC-Assembléia Legislava do Acre, esta por sua vez, composta por 24 deputados estaduais de 17 partidos políticos distintos. Não porque queira, mas sim, por absoluta e imperiosa necessidade, hoje, o governador Gladson Cameli, e/ou se fosse outro que estivesse no comando político do nosso Estado, só consegueria compor a maioria que parlamentar que necessita partindo para o toma-lá-dá-cá, outra denominação que vem sendo dada às freqüentes negociatas entre os governantes e seus respectivos parlamentos.

  Das duas, uma: ou faremos uma reforma no nosso sistema político/partidário/eleitoral ou teremos que conviver com um sistema que alimenta a nossa própria corrupção. A criminalização da nossa atividade política tem como causa determinante as fragmentações partidárias nas nossas parlamentares, e esta causa, por certo, a Operação Lava-Jato teve conhecimento, mas nada fez no sentido de combatê-la. Muito pelo contrário, o falso herói Sérgio Moro preferiu combater os supostos corruptos, previamente selecionados para execrá-los publicamente, e nada fez no sentido de combater um sistema que 0corruptor e corruptor. Bem disse Miguel de Cervantes: Elimina a causa que o efeito cessa. 

Artigos Publicados

Autonomia médica

Bons tempos, àqueles.

Glorioso, certamente

Estamos fatigados

Sob ameaça