Colunistas

Sobre liberdade

Os libertinos ignoram a liberdade dos outros e utilizam-se das suas como um direito absoluto, e a favor de si mesmo

   A caminho do cadafalso, e a esperá-la, uma guilhotina que cortaria o seu próprio pescoço, no momento em que passava em frente a uma Estátua que homenageava a Liberdade, nestes termos a viscondessa Manon Roland se pronunciou: “Ó Liberdade, quantos crimes cometem-se em seu nome”. Seu pescoço foi guilhotinado no dia 8 de novembro de 1793.

   Daí a pergunta que não pode calar: Madame Rolan reportava-se aos crimes por ela praticados ou porque iria se tornar vítima da liberdade dos seus  adversários, a época da Revolução Francesa?   

   A propósito, e ao meu sentir, coube a Jean-Paul Sartre a melhor definição do que vem a ser liberdade. É de sua rica e extensa lavra a seguinte definição: “Ser-se livre não é fazermos tudo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode”. E o que se pode, em qualquer sociedade democrática tem suas leis como limites.   

   Lamentavelmente, e bastante favorecidos pela internet, com insistente freqüência, a liberdade vem sendo abusivamente utilizada pelos libertinos, em particular, contra a honra, a imagem e a privacidade dos seus cidadãos e cidadãs. Bem a propósito, Thomas Jeferson, um dos mais célebres presidentes dos EUA, assim se pronunciou: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Donde podemos concluir: a liberdade não é um direito absoluto.

   A liberdade, e a nossa em particular, encontra nas nossas leis os seus próprios limites. Não fosse assim à imagem e a honra das pessoas ficariam expostas as agressões dos falaciosos formadores da nossa opinião pública, sobretudo por aqueles que trabalham a soldo e com propósitos previamente estabelecidos. Reporto-me, sobremaneira, as súcias que estão ocupando os espaços nas redes sociais de comunicação. Em seus últimos dias de vida, Humberto Ego, previu que a internet iria favorecê-los.  

   A nossa democracia não poderá permitir que àqueles que, em nome da liberdade conspiram contra ela mesma. Pior ainda: num período que não apenas as pessoas e até as nossas próprias instituições tornaram-se objetos das mais grotescas agressões.  

  Sou literalmente contra a qualquer tipo de censura, desde que, àqueles que abusarem do direito de expressão sejam devidamente responsabilizados, e em sendo o caso, penalizados. Do contrário, as súcias de caluniadores, de injuriosos e de infamantes, só tendem a crescer.

A nossa democracia não se fortalecerá, diria até, só se enfraquecerá, enquanto as agressões mentirosas, as tais fake News continuarem sendo livremente veiculadas. Do contrário, todas as nossas instituições, até mesmo o nosso STF-Supremo Tribunal Federal, se tornará objeto daqueles que imaginam que a liberdade de opinião permite-lhes a prática de crimes.                 

Artigos Publicados

Regulamentação, sim

Bagunça partidária.

Governabilidade

Causa e efeito

O que dele restará?