Colunistas

Sobre as rachadinhas

 Em princípio, o senador Flávio Bolsonaro, deveria ter dito: “Atire a primeira pedra aquele que não bebeu na tal fonte”.             .      

As verbas parlamentares foram criadas com o propósito de possibilitar que grande parte dos seus recursos fosse revertidos em favor dos próprios parlamentares, logicamente, seguida das mais tenebrosas manipulações. Seguramente, no mínimo, 99% dos parlamentares brasileiros procederam, procedem e continuarão procedendo enquanto a tal verba de gabinete existir. Não digo 100% porque, em princípio, sou contrário a qualquer tipo de generalização.

Como não votei no presidente Jair Bolsonaro e nem votaria em nenhum dos seus familiares caso fosse eleitor em quaisquer dos colégios eleitorais que saíssem candidatos, ainda assim, o meu anti-bolsonarismo não me leve a acusá-los como os precursores do milionário mercado que as rachadinhas vieram proporcionar.  

Como participantes, disto não tenho a menor dúvida, e que tenham exagerado na dose, igualmente, afinal de contas, no âmbito federal, estadual e municipal a família Bolsonaro, já bebeu em todas três fontes.  A título de esclarecimentos: as rachadinhas, por incrível que pareça propicia que cada parlamentar se aproprie de valores superiores ao do seu próprio salário, conquanto que, para dela se apropriarem aconteça de tudo, diria até, de toda sorte de pilantragens, entre elas, a contratação dos chamados funcionários fantasmas. A propósito, no início de cada legislatura, os corredores das nossas Casas Legislativas se superlotam de pessoas dispostas a assumir tão degradante condição.  Para além da verba de gabinete os nossos parlamentares ainda dispõem de outras fontes de recursos, a exemplificar, a chamada verba indenizatória, esta sim, também malversada, isto porque, as prestações de contas de seus correspondentes recursos são calçadas de recibos e notas fiscais frias, quando não, de comprovantes de despesas que nada tiveram a ver com o desempenho de suas atividades parlamentares.

Pelo que acima expus, concluo: o hoje senador Flávio Bolsonaro, por ter sido, ao mesmo tempo, participante e vítima de um sistema político estruturalmente corrupto, para que a justiça seja feita, não poderá ser o único a ser penalizado.

Certa vez, do falso moralista Sérgio Moro, ouvi o seguinte: no nosso país a corrupção política é sistêmica. Daí a pergunta que não pode calar: por que ao invés do dito cujo combater as causas dos seus crimes  escolheu, como lhes convinha, investigar àqueles que lhes convinha?  

Artigos Publicados

Regime do capeta

Lamentavelmente

Direito/dever

Senhores internautas!

O tempo dirá