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A causa

  Não existe nenhuma democracia respeitável que não se baseie em seus partidos políticos.
Da natureza nada podemos reclamar, afinal de contas, em abundância, dela tudo recebemos, menos, é claro, uma classe política que fosse capaz de levar o nosso país a se tornar numa das mais importantes potências do mundo. E o pior, com o passar dos tempos, ao invés de progredirmos só temos regredido.

Deixando de lado o nosso período pré-republicano e levando em consideração as oportunidades já perdidas em razão da má condução da nossa atividade política, bastaria à série de crises que já tivemos que enfrentar e praticamente todas originárias da nossa indisciplinada classe política. Isto, pela ausência de partidos políticos verdadeiramente ditos.

 Não por acaso, desde 1989, de tão precariamente instituída, a nossa República já ganhou uma série de apelidos, e dado o fato dos nossos dois primeiros presidentes serem generais, no caso, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, os seus primeiros anos foi apelidado de República das Espadas. Ainda assim, alguns focos de resistências propondo a volta da monarquia foram bastante freqüentes.

Ao término da república dos marechais e até ano de 1930, vivemos o período que foi apelidado da República do café com leite. Nela prevalecia o mandonismo, o clientelismo e o coronelismo derivados de acordos feitos entre as oligarquias mineiras e paulistas. De tais acordos, a presidência da República seria ocupada, alternadamente, entre mineiros e paulistas. Até então os partidos políticos, em nível nacional, não tinham nem vez e nem voz. Éramos, de fato, uma democracia desprovida de partidos políticos.

Neste contexto, vindo do Rio Grande do Sul, e contrário a política do café com leite, Getúlio Vargas assume o poder da nossa República, e nele permanecem por longos 15 anos, alguns deles na condição de ditador. Até então, a influência dos partidos políticos era igual a zero.

Com o fim da era Vargas, até o ano de 1964, dada a fragilidade dos nossos partidos políticos, embora já existissem, aconteceu de tudo, inclusive o retorno do próprio Getúlio Vargas a presidência da República, neste caso, filiado ao PTB. Era a primeira vez, em toda a nossa história, que um presidente seria eleito empunhando uma bandeira partidária.

Por falta de espaço, resumo: Jânio Quadro, JK, Collor, FHC e Jair Bolsonaro se elegeram sem nada a dever ao partido que estivesse filiado. Lula e Dilma se elegeram em razão do próprio Lula e não do PT.








 

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