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Não haverá lugar para promessas

          Não fosse a Covid-19, em todos os nossos 5.560 municípios, o assunto dominante seria as eleições.

 ?Estima-se, por baixo, que 30.000 candidatos participarão das próximas eleições, enquanto candidatos a prefeito e, por certo todos, indistintamente, irão prometer, e até garantir, que estarão dispostos a enfrentar os vários desafios que os aguardam. Ironicamente, muitos deles sequer conhecem a capacidade orçamentária do próprio município que pretende governar. E mais ainda, a prometer, caso eleito, solucionar todos os principais problemas existentes, sobretudo, àqueles que, no curso de sua campanha, tenham demandado os maiores volumes de reclamações por parte dos seus eleitores.

Isto tem sido uma constante ao longo de todas as nossas eleições e, em relação às próximas eleições, não fossem as restrições sanitárias impostas pelo presente pandemia, por certo, em razão da elevada quantidade de candidatos a prefeito e a existência de, no mínimo, 100.000 candidatos a vereador, sem dúvidas, o festival de promessas, seria ainda mais espalhafatoso. Ainda bem que algumas determinações impostas pela nossa legislação eleitoral, impedirão que a anarquia patrocinada pelos chamados partidos de aluguel volte a se repetir. 

Reporto-me, a instituição da chamada cláusula de barreira e a proibição das coligações partidárias nas eleições proporcionais, diga-se de passagem, duas determinações fundamentalmente importantes, até porque, a grande maioria dos nossos partidecos serão lançados na lixeira da nossa história. Do contrário o nosso sistema partidário, já bastante bagunçado, só tenderia a piorar. 

Se entre os nossos entes federados os nossos municípios sempre foram bastante prejudicados quando da repartição do nosso bolo tributário, a ponto dos prefeitos verem-se obrigados a pedir socorrer aos seus respectivos governadores, e em particular, ao governo federal, o próximo quadriênio, em razão dos estragos financeiros causados pela Covid-19, nem mesmo a união, detentora e controladora de 70% dos recursos públicos, terá condições de socorrê-los. 

Aos prefeitos que vierem se eleger na próxima eleição, de antemão, deixo aqui o seguinte e providencial aviso: os próximos quatro anos serão, para os nossos municípios, os piores de toda a nossa história, e em razão disto, que sejam econômicos em suas promessas no curso de suas campanhas eleitorais, do contrário, não tardarão a ser chamados de caloteiros eleitorais, até porque, a mistura entre Covid-19 e promessas eleitorais irrealizáveis, comporá o que em política poderemos chamar de nitroglicerina pura.  

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