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Que falta nos faz

A nossa anarquia político-partidária haveria de nos levar para o impasse em que ora nos encontramos

   Não é a quantidade de partidos políticos, legal e legitimamente existentes no nosso país, que nos levou à triste e lamentável situação em que nos encontramos, mas sim, as fragmentações partidárias existentes nas nossas Casas Legislativas, em especial, no nosso Congresso Nacional. Isto tem levado os nossos governantes, e em todos os níveis, a não atender seus esperados e legítimos compromissos eleitorais. E o mais grave: a se envolverem nas espúrias e condenáveis negociatas. Do contrário, não conseguem obter as maiorias que carecem para aprovar suas propostas e AA passarem a ser rotulados de caloteiros.

   O fim das coligações nas eleições parlamentares e a chamada cláusula de desempenho, mais conhecida como cláusula de barreira, seriam um bom começo para por fim na referida anarquia. Prevalente nas eleições municipais de 2020, e com excelentes resultados, ainda assim, volta a ser ameaçadas, justamente por àqueles tiram proveitos da anarquia política.

   Nas melhores democracias do mundo o aprendizado político de suas populações resulta dos partidos políticos, ou seja, pois funcionam como escolas. Peguemos duas delas: a do Reino Unida e a dos EUA. Quantos partidos políticos têm assentos em suas Casas parlamentares?

   Aqui no Brasil, parecem piadas, pois alguns dos nossos líderes partidários, não raramente, chegam a ser líder de si mesmo. A título de exemplo: quando da elaboração da nossa atual constituição, o então deputado federal Fernando Gabeira, do PV-Partido Verde, quando o saudoso Ulisses Guimarães solicitava que os líderes de cada partido orientassem as suas bancadas como devessem votar, em nome do PV, somente o constituinte Fernando Gabeira poderia falar, porquanto não existia um segundo parlamentar na legenda que pudesse substituí-lo.  

   No nosso país, presentemente, representantes de 25 partidos políticos fazem-se presentes nas nossas casas legislativas, e em particular, na Câmara dos Deputados e no Senado de nossa República.

   Pior ainda, algumas dezenas de outros partidos só estão aguardando a autorização do TSE-Tribunal Superior Eleitoral para entrarem em ação, isto porque, após autorizados, passarão a dispor daquilo que mais desejam, uma fatia dos fundos eleitorais e partidários, e a partir de então, passam a funcionar como se fossem uma empresa privada e geralmente composta de integrantes de uma mesma família.

   Nada contra a quantidade de partidos políticos, e sim, aos seus despropósitos, e ainda por cima, financiados com recursos públicos. Isto foi o que levou a nossa população a descrer nos nossos partidos políticos enquanto instrumentos para o aperfeiçoamento da nossa democracia. 

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