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Liberdade

Erra quem trata a sua liberdade como se fosse um direito absoluto. Fosse assim, como ficaria o direito dos outros?  

   Quando os bichos decidiram elaborar uma constituição, de sorte a manter a paz entre eles, dois dos direitos se faziam presentes: o direito de ir e vir e o direito a vida. Após sua promulgação, sem tardança, as galinhas tiveram que recorrer à corte constitucional, porquanto as raposas estavam invadindo os galinheiros e as devorando. Para tanto, reivindicavam os direitos de suas próprias vidas. De pronto as raposas questionaram: como fica o nosso direito de ir e vir? Esta metáfora bem que se presta, para nós humanos, em particular, para quem imagina que a liberdade é um direito absoluto.

   Tomando-se por base a nossa constituição, no seu artigo 5º e nas alíneas IX e X, o direito a livre manifestação do pensamento e o direito a honra e a imagem das pessoas se chocam frontalmente. Portanto, hão que serem relativizados e conseqüentemente arbitrados. Do contrário os difamadores, os caluniadores e os infamantes, não encontrariam barreiras para suas perversões. Pior ainda, após o advento da internet as mentiras que já andavam mais rápidas que as verdades, ganharam mais espaços e rapidez.   

   A seguir algumas expressões de autoria de pessoas que conseguiram deixar seus nomes registrados na nossa história;

1 – De Abraham Lincoln: aqueles que negam a liberdade dos outros não a merecem para si mesmos.

2 – De Jean-Paul Sartre: ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode.

3 – De Friedrich Nietzsche: não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.

   Pior do que não informar, é mal informar. No Brasil, recentemente, abundam os internautas que trabalham com a mentira, e não raramente, alguns veículos de comunicação, a despeito de serem concessionários do poder público. Ainda assim, agem de forma claramente parcial, subvertendo o que merecia ser informado.   

    A mentira nunca esteve tão em moda no nosso país, particularmente, no nosso ambiente político. Até o sugestivo e pomposo nome de fake News já lhes foi atribuída. Sou favorável a liberdade de expressão e contra toda sorte de censura, conquanto se faça acompanhada das devidas responsabilizações. Informações anônimas não devem ser tornadas públicas, sobretudo quando agridem a honra e a imagem das pessoas.

    A liberdade de opinião encontra nas leis os seus próprios limites. Assim funciona nas melhores democracias do mundo e urge que o mesmo aconteça no nosso país.  Que viva a liberdade de expressão e que ninguém se sinta tolhido de expressar-se, logicamente, quando agindo dentro dos limites determinados pelas nossas leis. Liberdade sim, libertinagem, jamais.

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