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Exemplar

Das eleições de 1982, aqui no Acre, resultaram as eleições de 16 deputados estaduais do PMDB e 8 do PDS

   Ainda assim, eleito pelo PMDB, o governador Nabor Junior, num gesto de inquestionável grandeza política, não dispôs da maioria que detinha, quando pretendia aprovar os projetos que os tinham como prioritários. Se pretendesse, sequer daria ouvidos aos deputados estaduais do PDS, seus opositores, porquanto dispunha de uma folgada maioria para aprová-los.

   Quando da eleição da mesa diretora da nossa ALEAC-Assembléia Legislativa do Acre, o governador Nabor Junior foi bem mais primoroso, diria até, inimaginável. Ao solicitar que o seu próprio partido, e foi atendido detivesse a presidência da ALEAC sugeriu que a sua primeira secretaria ficasse com o PDS. Do referido entendimento resultou a eleição da dupla: Edson Cadaxo e Felix Bestene, respectivamente, presidente e primeiro secretário da ALEAC. Exemplos dessa ordem não são apenas escassos, praticamente não mais se verificam.

   Ultimamente, nas eleições das mesas diretoras das nossas Casas legislativas suas vagas são disputadas num verdadeiro clima de guerra. Brigam-se até por suas suplências. E por que isto vem acontecendo?

   Simples assim: em razão da fragmentação partidária nos nossos parlamentos. A exemplificar: o nosso Congresso Nacional é composto por representantes de 25 partidos e a nossa ALEAC por pertencentes a 17 partidos distintos. Isto tem sido o bastante para os nossos governantes, e em todos os níveis, tenha que apelar para toda sorte de acordos, diria até, de conchavos. Do contrário, não conseguirão governar.

   Bem disse Miguel de Cervantes: “elimine a causa que o efeito cessa”. Assim sendo, em se mantendo a causa, jamais os seus efeitos cessarão. Oportunamente pergunto: quantos partidos fazem-se presente nos  parlamentos dos EUA, da Inglaterra e da Alemanha?

   Em relação às reformas constituições que se fazem urgentes e necessárias em nosso país, a mãe de todas deveria ser a reforma política, partidária e eleitoral. Porém dela pouco se fala e menos ainda se prioriza. Pior ainda: voltou ao nosso debate político o retorno das coligações partidárias nas eleições parlamentares e o fim da chamada cláusula de barreira.

   Digo e reafirmo: enquanto os partidecos continuarem sendo financiados com recursos públicos e outras vantagens, os partidos propriamente ditos tenderão a se enfraquecer, e em especial, a nossa República.

    Em tempo: a maioria dos partidecos ora existentes em nosso país  funcionam com se fossem micros e médias empresas e, portanto, só atendem aos interesses dos seus controladores, de suas famílias e dos seus comparsas. Para além do presidente da República, tantos os governadores quanto os prefeitos, vêem forçados a apelar para a nefasta e nociva coalizão partidária.              

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