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Haja desafios!

“PSDB e PT tornaram-se parte da “velharia” política que dificulta a modernização do nosso país” – Do ex-presidente FHC.

Em sua primeira entrevista após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente FHC, voltou a reafirmar ao jornalista, Josias de Sousa, a quem havia dado entrevista, há 20 anos, quais as principais dificuldades que ele teve que enfrentar para aprovar as reformas constitucionais ao tempo em que se encontrava na presidência da República. Resposta de FHC: no Brasil de hoje, a modernidade continua dependente da podridão, da velharia, do tradicionalismo, o qual na verdade ainda pesa muitíssimo. Verdade, verdadeira.   


 Ato contínuo o referido jornalista fez-lhe a seguinte pergunta: PSDB e PT integram a tal velharia? Sem titubeios FHC respondeu que sim. E ainda acrescentou: você quer mudar, modernizar, avançar, ser progressista, mas você precisa dos partidos que estão aí. Não se trata de esquerda nem de direita, e sim, de pessoas que só querem tirar proveito do Estado brasileiro.


Se no seu período de governo FHC conseguia aprovar uma emenda constitucional, bastando para tanto, o apoio de apenas três partidos, particularmente, o PSDB, o então PFL e o PMDB. Presentemente faz-se necessário o apoio de, no mínimo, 20 partidos políticos, e ainda por cima, correndo-se o risco de colher as mais desagradáveis surpresas. O próprio FHC não conseguiu aprovar àquela que seria a mais urgente de todas as nossas reformas constitucionais, no caso, a reforma política/partidária, e em razão de sua ausência, deu no que tinha de dar, ou seja, na desmoralização dos nossos partidos políticos e dos próprios políticos.    


Consoante FHC, “a queda da Dilma teve motivações que vão além das pedaladas fiscais e dos gastos públicos sem amparo legislativo”. Corretíssimo, afinal de contas, não bastaria tais pecadilhos para determinar o seu impeachment, mas como pretexto para acusá-la de ter cometido os tais crimes de responsabilidade e afastá-la do poder, sim. Repito: como pretextos sim, até porque, se igual castigo houvesse sido imposto a todos os nossos ex-presidentes, aos nossos ex-governadores e aos atuais, aos nossos ex-prefeitos e aos atuais, raro seriam àqueles que teriam concluídos os mandatos, sobretudo, num país cujos orçamentos públicos são tratados como “peças de ficção”.  


 O impeachment do então presidente Collor não restou como um golpe em razão dos razoáveis desempenhos dos governantes que vieram sucedê-lo. Já em relação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff tudo vai depender do desempenho do governo do presidente Michel Temer. Neste particular, o próprio FHC já o comparou a uma pinguela cuja estabilidade vai depender de sua capacidade para enfrentar os desafios que lhes espera. 


Pelo que se pode concluir da entrevista do próprio FHC, até o seu PSDB se afastará do governo do presidente Michel Temer, caso a entourage que o cerca, volte a falar na possibilidade de sua reeleição em 2018. 

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