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Compra de votos

No Brasil, nos períodos anteriores as eleições, a compra de votos tem sido uma constante

   Nas várias vezes em que fui candidato, invariavelmente, fui procurado por pessoas portando as mais variadas listas, nas quais constavam os nomes de dezenas de eleitores e todos perfeitamente identificados: nomes, endereços, seções de votações, entre outras identificações.   Motivação: saber quanto disporia pagar para obter os votos dos eleitores constantes nas tais listas.   

   Esta realidade vem se arrastando ao longo do tempo, a despeito das preocupações tornadas públicas pela nossa Justiça Eleitoral, pelo Ministério Público Eleitoral e a demais instituições. Ainda assim, esta prática não tem arrefecido, particularmente, no nosso Estado, .

   Nenhum candidato que participou das eleições passadas poderá ignorar a prática desse crime, inclusive àqueles que aderiram a esta prática. E o mais grave: não raro, os praticantes desse crime acabam se beneficiando.   

   As recomendações feitas pela Justiça Eleitoral, todas elas exaltando a importância do voto, não tem surtido os efeitos desejados. Expressões do tipo: “voto não tem preço tem valor” para os intermediários do nosso mercado eleitoral, nunca os detiveram.

   Este mercado precisa ser combatido, mas como todo crime que atinge o nível da banalização, não será de uma vez por todas, por mais vigilante que seja a nossa Justiça Eleitoral. Fosse assim, as duríssimas punições aplicadas aos narcotraficantes já teriam posto fim a este criminoso mercado, como vem ser, os mercadores das chamadas drogas pesadas.

   Para que o mercado eleitoral seja substancialmente minimizado, a nossa Justiça Eleitoral precisa contar com a colaboração dos eleitores que, contrários a este crime, fossem estimulados a denunciar os compradores de votos, no caso, valendo-se do instituto da delação premiada. Os eleitores são as testemunhas mais freqüentes desse crime.

   A Justiça Eleitoral, mesmo contando com a valiosa colaboração do Ministério Público e das nossas demais instituições, sequer conseguem identificar os locais, nos quais, os compradores de votos e eleitores se reúnem para realizar as suas criminosas transações.

   Ninguém mais qualificado que os próprios eleitores, sobretudo àqueles comprometidos com a democracia, melhor se prestarão para testemunhar a existência desse criminoso mercado.  

   Evitar a compra de votos é um imperativo de ordem democrática e muito se prestará para melhorar a nossa representação política. Caso contrário, os mais altos postos da nossa atividade política continuarão a ser ocupados por aqueles que se sentem absolutamente quitados com seus eleitores. A lógica prevalente entre os compradores de votos e a seguinte: em tendo pagado pelo voto nada fica devendo aos seus eleitores.

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