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Que assim seja

As más leis precisam ser obedecidas pelos bons, para que os maus, à pretexto, desobedeçam as  leis boas.

O Impeachment é derivado de uma lei ruim, e por sê-la verdadeiramente ruim, já há bastante deveria ter sido lançada na lixeira de nossa história, a exemplo do que já aconteceu nas mais evoluídas democracias do mundo. Entretanto, enquanto o nosso aparato legal abrigá-la, lamentavelmente, seremos obrigados a obedecer tão nefasto instrumento.

Impeachment não é golpe, como alegam àqueles que defendiam a manutenção do mandato da presidente da Dilma Rousseff, tampouco é derivado de uma lei boa, como aventam àqueles que querem vê-la fora do poder. Impeachment é um instrumento que só continua sobrevivendo nos países politicamente atrasados, ou seja, nas tais republiquetas de bananas. Lamentavelmente, neste particular, convenhamos, o nosso país tem sido exemplar, até porque, além de produzirmos as nossas próprias aberrações, importamos as porcarias dos outros.

A presidente Dilma Rousseff não foi afastada do poder por ter cometido crimes, e sim, por ter perdido a capacidade política para governar o nosso país. Diria até: quando 367 deputados federais foram favoráveis a abertura do seu processo de impeachment e apenas 137 foram contrários, e logo a seguir, 55 senadores foram favoráveis e apenas 22 foram contrários, só lhes restava duas alternativas: 01 - renunciar o seu próprio mandato. 02 - sujeitar-se a um longo e angustioso martírio, cujo resultado, por antecipação, já era de todos conhecido.

Tal qual havia acontecido no impeachment do então presidente Collor, voltou a acontecer no da presidente Dilma Rousseff, até porque, além de ser um jogo de cartas marcadas, seus juízes tem interesse na causa. O filme, “Um cabra marcado para morrer”, dirigido pelo cineasta Eduardo Coutinho, esclarece quaisquer dúvidas que possam existir em todo e qualquer processo de impeachment.

Useiros e vezeiros em propor o impeachment de todos os nossos ex-presidentes, os defensores da presidente Dilma Rousseff não deviriam está falando que impeachment é golpe, e de igual maneira, àqueles que a afastara do poder não deveriam falar que manobrar com nossos orçamentos públicos caracteriza um crime de responsabilidade, punível com a perda do mandato, até porque, se crime for, se vierem a ser julgados, entre os nossos 27 governadores e os nossos 5.568 prefeitos, poucos se manteriam no poder, afinal de contas, a maioria deles já chegaram até mesmo a chafurdar com seus respectivos orçamentos, o que não chega a surpreender num país em que seus orçamentos públicos sempre foram tratados como peças de ficção. 

Se rei posto rei morto, rainha posta rainha morta. Traduzindo: consumado o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a conseqüente assunção do seu vice-presidente Michel Temer ao poder, só restará a todos àqueles que votaram a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff apoiar o seu governo, independente das candidaturas que vierem a surgir nas eleições presidenciais de 2018. Do contrário, o impeachment, recém estabelecido, será lembrado como fruto de uma quartelada parlamentar. 

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