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Sou contra

Sugerido como remédio, o impeachment de um governante eleito, legal e legitimamente, acaba virando num veneno. No regime presidencialista, tal qual o nosso, o presidente da República passa a deter os poderes de chefe de governo e de Estado, e por um prazo fixo e determinado, independente de sua exitosa ou fracassada gestão. Entretanto, por sê-lo ungido ao poder pela via da soberania popular, retirá-lo do poder, só e somente só, quando uma ou várias crises se elevam a altíssimas temperaturas. Pior ainda: quando as crises são provocadas por quem deveriam evitá-las, no caso os nossos representantes políticos. Já passamos por dois impeachments, o do ex-presidente Fernando Collor e o da ex-presidente Dilma Rousseff. Fui conta a ambos, e de igual forma, sou contra àqueles que pregam o impeachment do atual presidente, Jair Bolsonaro. Daí a minha admiração pelo regime parlamentar de governo, segundo o qual, a chefia do Estado vem ser eleito para o cumprimento de um mandato, com prazo fixo e determinado, mas a chefia do governo depende do seu desempenho de quem o detenha. Se incompetente, sem maiores delongas é afastado do poder, e para tanto, basta apenas que o seu correspondente parlamento lhes aplique o chamado voto de desconfiança. Para além dos diversos inconvenientes do regime presidencialista, no nosso país, os nossos representantes políticos priorizam as próximas eleições e não raramente, menosprezam as próximas gerações. Outra não é a causa que nos impede de identificá-los como estadistas. A se confirmar o que as pesquisas de opinião pública que vêm sendo divulgadas, no próximo ano, e em obediência ao nosso calendário eleitoral, em 2º turno, o atual presidente Jair Bolsonaro tentará a sua reeleição e terá que se confrontar com o ex-presidente Lula, isto porque, a depender da quantidade dos pré-candidatos da chamada 3ª via, esta é a possibilidade mais provável. Desanima-me ver o tratamento que vem sendo dispensado, tanto ao presidente Jair Bolsonaro quanto ao ex-presente Lula: o de genocida e o de maior ladrão do Brasil, respectivamente. Não será assim que o nosso desejável futuro será alcançado. Fez bem o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, ao deixar mofando, em suas gavetas os muitos pedidos de impeachment contra o Presidente Jair Bolsonaro, e do atual presidente, Authur Lira, espero que faça o mesmo. Também fez bem o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao descartar o pedido de impeachment do Ministro de STF, Alexandre de Morais, este de autoria do próprio presidente Jair Bolsonaro. Caso os pré-candidatos da 3ª via estejam preocupados com a polarização Bolsonaro/Lula, só lhes restará uma, e somente uma alternativa, qual seja, unirem-se em trono de uma única candidatura, ou os engulam.

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