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Compra de votos

No Acre, nos períodos anteriores as eleições, a compra de  votos sempre esteve presente. Este crime não pode prevalecer

   Nas várias vezes em que fui candidato, recorrentemente, fui procurado por pessoas portando listas com os nomes de dezenas e dezenas de eleitores, nelas contando todas as identificações dos seus eleitores: endereço, seção de votação, números dos títulos, etc. Motivação: saber quanto eu estaria disposto a pagar para obter os votos constantes nas referidas listas.   

  Esta realidade vem se arrastando ao longo do tempo, a despeito das advertências tornadas públicas pela nossa Justiça Eleitoral, entre elas, identificando esta prática como criminosa. Ainda assim, o mercado eleitoral no nosso Estado ainda não arrefeceu.

  Nenhum candidato que participou das eleições passadas poderá ignorar a recorrência desta prática, até mesmo àqueles com a qual discordavam. E o mais grave: não raro, os beneficiaram desse crime acabaram se elegendo.  

   As recomendações feitas pela Justiça Eleitoral, todas elas exaltando a importância do voto, não surtiram os efeitos desejados. Expressões do tipo: “voto não tem preço tem valor” para os intermediários do nosso mercado eleitoral, nunca despertaram as devidas preocupações.

  Este mercado precisa ser combatido, mas como todo crime que atinge o nível da banalização, não será de uma vez por todas, por mais rígidas e merecidas que sejam as ações da nossa Justiça Eleitoral. Fosse assim, as duríssimas punições aplicadas aos narcotraficantes já teriam posto fim a este criminoso mercado, como vem ser, o mercado das chamadas drogas pesadas.

   Para que o mercado eleitoral seja substancialmente minimizado, em boa conta, e no meu pensar, bastariam que a nossa Justiça Eleitoral passasse a contar com a colaboração dos eleitores que são contrários a esta prática, neste caso, valendo-se do instituto da delação premiada, conquanto àqueles que se propuserem a tanto, estejam acompanhados de sólidas provas.

   A Justiça Eleitoral, mesmo contando com a valiosa colaboração do Ministério Público e das nossas Polícias, entre outras instituições, não conseguirá identificar todos os locais, nos quais, compradores de votos e eleitores se reúnem para realizar as suas criminosas transações.

   Ninguém mais que os próprios eleitores, sobretudo àqueles comprometidos com a democracia e com a lisura dos nossos processos eleitorais, melhor se prestarão para testemunhar a existência do nosso mercado eleitoral, e mais ainda, para identificar os candidatos e os correspondentes prepostos que alimentam a compra seus votos.

   Evitar a compra de votos é um imperativo de ordem democrática e muito se prestará para melhorar a nossa representação política. Caso contrário, os mais altos postos da nossa atividade política serão ocupados, em grande parte, por aqueles que se sentem absolutamente quitado com seus eleitores.

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