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A pandemia da Covid-19 e suas múltiplas interpretações resultaram na tragédia que ainda não chegou ao fim

   Quando a OMS-Organização Mundial de Saúde, no dia 11 de março de 2020 reconheceu que a Covid-19 como uma pandemia, tanto as autoridades políticas quanto as científicas, em todo o mundo, se revelaram dispostas a enfrentá-la, até porque, os históricos de todas as pandemias assim determinavam.   

   Infelizmente, na ausência de uma estratégia comum entre os principais centros científicos do mundo, menos ainda entre os chefes de Estados, a referida pandemia se expandiu e provocou a tragédia humana que ora testemunhamos. O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, pela importância que representava no contexto mundial, chegou a subestimar a sua gravidade. O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, por exemplo, chegou a prescrever o consumo de vodka como tratamento preventivo contra a Covid-19.

   No nosso país o combate a Covid-19 ocorreu de forma bastante errática, posto que, ao politizarem o seu vírus, os nossos representantes políticos em muito contribuíram para que nos tornássemos no vice-campeão mundial de mortes, a nossa frente, apenas os EUA.

   Oportunamente lembremos: o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Dória, partiram para um confronto do tipo: “queda de braços” ou em outra versão: “ou ele ou eu”. Muito provavelmente, suas discordâncias tinham tudo a ver com a disputa presidencial de 2022. Em tempo: politizaram a Covid-19.

   A partir de então as discordâncias se estabeleceram entre os governadores e prefeitos, enquanto isto, a Covid-19 continuava cumprindo a sua fúria assassina. No seu dia mais letal, 29 de março de 2021, exatamente 2.867 brasileiros foram a óbito.

   Se entre os nossos representantes políticos ocorriam divergências, e em última análise entendia-se, entre os profissionais em saúde pública, chegamos a ouvir as maiores aberrações, entre elas, a defesa que faziam da chamada contaminação do rebanho, segundo a qual, quanto mais contaminados houvesse mais rápido a pandemia chegaria ao fim.

   Os que assim pensavam, irresponsavelmente, sequer chegaram a imaginar que não dispúnhamos de um sistema público de saúde para atender aos milhões de brasileiros que seriam contaminados. Isto só veio acontecer e chamou as nossas atenções, quando aconteceu a tragédia de Manaus, e em menor grau, porém igualmente trágicos, em quase todas as nossas capitais e nos nossos principais centros populacionais do nosso país.

   Se a Covid-19 não foi à primeira pandemia enfrentada pela humanidade, e nem será a última, resta-nos prepararmos para as próximas.

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