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As rachadinhas

Desde as suas origem que os nossos parlamentares se apropriam dos recursos das chamadas verbas parlamentares.

         Em apenas duas de suas modalidades, as verbas de gabinete e as chamadas verbas indenizatórias, juntas e somadas, representam o quádruplo, ou mais, do quanto os próprios parlamentares aufeririam no decorrer dos seus próprios mandatos. 

.        Malandramente arquitetada e, consequentemente aprovada pelos nossos congressistas, como seria de se esperar, não tardou para que esta prática, diga-se de passagem, ilegal e imoral, viesse a se estabelecer em todas as nossas Casas parlamentares, inclusive nas Assembleias Legislativas de todos os nossos Estados, assim como, nas Câmaras de vereadores, particularmente, nas dos nossos mais importantes municípios, particularmente, naqueles que dispõem de bilionários orçamentos. Entre estes, cito àqueles que mais se destacam: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, entre outros. Daí a pergunta que se impõe: os deputados estaduais desses, e dos demais Estados, assim como, os vereadores das suas correspondentes capitais, teriam condições, se investigados fossem, a provarem que não participaram desse criminoso es quema? 

         Para não cometer o erro que naturalmente deriva de toda e qualquer generalização, não cometerei o erro de acusar que tal prática, e nas suas mais diversas formas, atingiria 100% dos nossos parlamentares, entretanto, antevejo que, nada menos que 90% deles, têm feito das rachadinhas as suas principais fontes de receitas.

         Na sua estreia e por seguidos anos, de livre escolha dos senhores parlamentares, possibilitaram as escolhas de seus supostos assessores atendesse o seguinte critério: em primeiro lugar, os seus familiares, e em segundo lugar, aqueles que em suas próprias campanhas tivessem se revelado bons cabos-eleitorais, e por último, aqueles que aceitassem uma determinada nomeação, conquanto concordasse devolver parte do seu salário a alguém, logicamente, escolhido a dedo, pelo próprio parlamentar. A título de esclarecimento: esta era função que Fabrício de Queirós exercia no gabinete do então deputado estadual, Flávio Bolsonaro.

 

         Daí a pergunta que não pode calar: por que os “Fabrícios de Queirós” que desempenharam as mesmas tarefas em centenas e centenas de gabinetes parlamentares continuam com seus nomes ignorados?

         Certamente porque, ao invés de confessar que as rachadinhas eram práticas comuns em quase todos os gabinetes da Alerj-Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, assim como, nos parlamentos das demais unidades da nossa federação, e não uma exclusividade do seu gabinete, ao negar a sua existência, e pelo fato de ser filho do presidente Jair Bolsonaro, o resultado não poderia ser outro, a não ser, o dilema moral que ora enfrenta.


 
 

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