28% das mulheres e 37% dos homens rio-branquenses deixaram de fumar.
Em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, que acontece no dia 29 de agosto, a prefeitura de Rio Branco realiza amanhã, na Unidade de Referência de Atenção Primária (Urap) Augusto Hidalgo de Lima uma série de atividades voltadas para a prevenção e controle do tabagismo, com ênfase no fumo passivo e mulher.
No Brasil, como em todo o mundo, o papel da mulher tem mudado muito, especialmente nas últimas décadas, com uma grande inserção no processo produtivo. O aumento da participação feminina na força de trabalho e como chefe de família reflete-se também nas mudanças de comportamento, tanto de gênero como de cidadania geral e organização política, através de movimentos específicos de mulheres. Como conseqüência de sua crescente independência e maior participação no mercado de trabalho, o processo de exposição da mulher a ambientes “fora do lar”, propicia a aquisição de comportamentos de risco, que eram mais freqüentes na população masculina, como fumar e beber.
Associado a uma falsa imagem de independência, o tabagismo incorporou-se ao dia a dia feminino, trazendo consigo um agressor velado ao quadro já complexo da saúde da mulher. Mesmo as mulheres não fumantes encontram-se expostas, involuntariamente, aos malefícios associados ao fumo, inalando fumaça de cigarros em locais públicos, de trabalho ou dentro de sua casa.
A mulher tornou-se, portanto, o público alvo da indústria do tabaco que anunciam o cigarro como símbolo de emancipação e independência, chegando inclusive a ser encarada como status social, e para atrair cada vez mais o público feminino a indústria produz especificamente para as mulheres, cigarros com sabores e embalagens diferenciadas.
Como conseqüência, o número de fumantes, em especial no sexo feminino, tem aumentado em todo mundo. Atualmente, quatro vezes mais homens fumam do que mulheres no mundo, mas, enquanto o índice de homens fumantes estabiliza-se, o número de mulheres tabagistas segue aumentando, principalmente em países em desenvolvimento, transformando o tabaco numa das maiores ameaças à saúde e bem estar das mulheres de todo o mundo.
Tabagismo passivo e mulher
Quem não fuma, mas respira a fumaça de produtos de tabaco, se torna fumante passivo e corre risco de ter câncer de pulmão, infarto e muitas outras doenças graves, um exemplo claro é: quando a mãe está exposta à fumaça do cigarro, a nicotina contamina o leite materno e é absorvida pela criança, trazendo sérios danos à saúde da criança.
A fumaça dos derivados do tabaco em ambientes fechados é denominada poluição tabagística ambiental (PTA) e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), torna-se ainda mais grave em ambientes fechados.
De acordo com estudos científicos, mesmo que haja uma janela ou varanda, não existem níveis seguros de exposição à fumaça dos produtos do tabaco nenhum sistema de ventilação que é capaz de eliminar os elementos cancerígenos que ficam no ar.
Segundo pesquisas, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, subseqüente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool.
O ar poluído contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono, e até cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que entra pela boca do fumante depois de passar pelo filtro do cigarro.
O fumo passivo causa doenças sérias e até fatais em adultos e crianças, além de contribuir para a diminuição na fertilidade de homens e mulheres. Gestantes e seus recém nascidos expostos ao fumo passivo apresentam mais problemas de saúde.
Pesquisas também sugerem que o fumo passivo aumenta o risco de câncer de mama em mulheres jovens, na pré-menopausa.
De acordo com a pesquisa da VIGITEL 2009, em quatro anos houve uma queda de 16% para 15% no número de fumantes nas capitais do Brasil, no município de Rio Branco cai de 21% para 16%, ocupando atualmente a oitava maior freqüência de fumantes dentre as 26 capitas e Distrito Federal pesquisados.
Segundo dados de 2008, Rio Branco ocupava a maior freqüência de tabagismo feminino (17,5%) e sexta maior freqüência entre os homens (18,7%), atualmente ocupa a quinta maior freqüência de tabagismo feminino (15,4%) e 20ª entre os homens (16,6%), sendo a capital em que mais pessoas deixaram de fumar - 28% das mulheres e 37% dos homens.
Adicionalmente este ano, a VIGITEL apresentou a freqüência de fumantes passivo e Rio Branco apresenta-se com a segunda maior freqüência de homens fumantes passivos, com 18%, e em quarto lugar com 17, 9% de mulheres.
O programa municipal de Controle do Tabagismo desenvolve ações de promoção e controle do tabagismo em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, sendo ações educativas e de promoção da cessação do tabagismo através das datas pontuais (campanhas e eventos); acesso ao tratamento para cessação do tabagismo e ações contínuas em ambientes de trabalho, escolas e unidades de saúde.
Lei municipal de restrição ao fumo
Dia 5 de novembro o município de Rio Branco deu um importante passo em defesa da saúde pública, com a entrada em vigor da Lei Municipal nº 1.764 que proíbe o consumo de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não de tabaco, em recintos de uso coletivo como ambientes de trabalho, estudo, cultura, esporte, entretenimento, áreas comuns de condomínio, casas de espetáculos, teatros, cinemas, bares, lanchonetes, boate, restaurantes, praças de alimentação, hotéis, dentre outros.
Fiscalização
Para manter os ambientes livres do tabaco os fiscais estão percorrer bares, restaurantes entre outros locais, para conferir se os locais estão em acordo com a legislação aprovada. Qualquer estabelecimento previsto na lei está sujeito às blitz.
A ação de fiscalização terá como foco os estabelecimentos e seus proprietários. Os fumantes não deverão ser diretamente abordados pelos fiscais. É importante assinalar que a lei foi feita para que o cidadão disponha de ambientes livres de tabaco, cuja manutenção deverá ser garantida pelos donos dos locais. A lei não é contra os fumantes. É, sim, a favor dos ambientes livres de tabacos, a favor da saúde de todos. Esse é o foco da fiscalização.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes
