Enquanto Gladson confessa que tem dinheiro em caixa na Saúde, centenas de pacientes agonizam nos hospitais do Acre

Por Wanglézio Braga

A afirmação do Governador Gladson Cameli, do PP, de que tem dinheiro para resolver os problemas da Saúde soou como um insulto aos pacientes que estão aguardando por um atendimento médico, realização de exames, aos funcionários que estão sem direção e resolução das suas demandas, e principalmente nos acreanos que enxergaram no maior executivo uma falta de boa e verdadeira vontade em resolver os problemas.

Durante coletiva com a imprensa em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira (04), o governador afirmou que na sexta-feira (01) passada havia em caixa, disponível na Secretaria de Saúde do Acre (SESACRE), cerca de R$ 14 milhões de reais. Na ocasião, Cameli anunciou até a exoneração da Secretária Mônica Feres, dos seus diretores importados de Brasília bem como do subsecretário como forma de punição por não darem solução ao caos da saúde no Acre.  

“Como se dizem que o problema da SESACRE é falta de dinheiro e quando olho na sexta-feira passada tinha 14 milhões de reais em caixa?  Porque esse dinheiro não foi gasto para atender o povo? A culpa é minha?”, questionou o governador.

A frase polêmica logo repercutiu nas redes sociais. Pacientes renais crônicos repudiaram a falta de gestão e da manifestação pontual do governador que está ciente do fato. Há tempos, eles clamam para que o Governo faça alguma coisa em prol dos pacientes que se declaram abandonados pelo poder público. Eles denunciam ainda que existem problemas pontuais na falta de gestão no setor de transplantes de órgãos e de estrutura para atender quem faz hemodiálise tanto na capital quanto no interior.

Vale levar em consideração que o próprio Governo Gladson que está há 11 meses no poder do Palácio Rio Branco, assinou um Decreto de Emergência na pasta prometendo resolver os perrengues deixados pela "gestão do PT". Porém, ao que parece, nem mesmo tal documento que cumpre a sua finalidade de arrecadar materiais extinguindo as demoradas licitações tem a sua funcionalidade assertiva. 

Para testemunhar a falta de gestão, além já das constantes reclamações dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em UPAS, é salutar visitar as instalações do novo Pronto Socorro de Rio Branco que já apresenta superlotação, pacientes acomodados no chão e falta de medicamentos. E ainda ha pessoas dentro do governo que insiste em tapar os olhos para tais problemas e afirmar que a gestão "Já deu certo". 

Em linhas gerais, se existe dinheiro em caixa para resolver os problemas que se arrasta há meses, a pergunta que não se tem resposta é a seguinte: “Cadê os órgãos fiscalizadores como MPE, TCE e a própria Assembleia Legislativa do Acre (ALEAC) que não tomam uma firme posição sobre essa evitente prática de improbidade administrativa?”. 

"Vai cair secretária, subsecretário e diretores! Não vai ser apenas a Secretária que vai cair não, diretores também porque eu disse a eles. Não adianta trocar somente a secretária e não trocar o que vem por baixo. Não vou esperar meus quatro anos de mandato acabar para depois ficar dizendo o que poderia fazer. Vou fazer agora!”, declarou.  

Enquanto os decretos de exonerações não são publicados no Diário Oficial do Estado (DOE) ou nada vem sendo feita real ação, os pacientes continuam agonizando a espera de um atendimento justo e humanizado na rede estadual de Saúde. Quem tem dinheiro corre para outros estados, quem não tem fica por aqui mesmo e roga aos céus por piedade.