???Tudo o que vivi dá significado a este momento???, diz Nazaré Araújo

 (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Ao ocupar o cargo de vice-governadora, Maria de Nazareth Mello de Araújo Lambert, a Nazaré Araújo, protagoniza um capítulo emblemático da história do Acre.  Primeiro governador escolhido pelo voto popular após a elevação do território à categoria de estado, seu pai, José Augusto de Araújo, que até então fora professor de filosofia, manifestava, aos 32 anos de idade, uma concepção de mundo avançada: defendia a aplicação do Método Paulo Freire na educação e chegou a assinar decretos de desapropriação de quatro seringais.

Entretanto, pouco mais de um ano após ter assumido o cargo, foi deposto em 1964, na sequência do Golpe Militar, e cassado em 1966, já residindo no Rio de Janeiro.

Impedido de exercer seus direitos políticos, quem tomou a frente da atuação pública dos Araújo foi Maria Lúcia, sua mulher e mãe de seu filho Ricardo. A distância, ela resolveu se candidatar a deputada federal. A campanha se fez por meio de uma carta, na qual relatava à população o delicado estado de saúde do governador afastado e a subsistência da família com uma afrontosa “pensão de morto-vivo”, subsídio mínimo que o governo militar concedia aos políticos com mandatos cassados. O detalhe é que se encontrava grávida, exatamente de Nazaré.

Com essa atitude valente diante de uma realidade tão complexa, Maria Lúcia conseguiu dois feitos: foi a candidata mais votada e a primeira mulher deputada federal pelo Acre. Em 1969, novo impedimento: logo após o fechamento do Congresso Nacional pelo regime militar, foi cassada pelo AI-5.

A essa altura, em decorrência dos abalos emocionais sofridos e já tendo sido submetido a exaustivos interrogatórios perante a auditoria militar do regime em Belém, a saúde de José Augusto foi-se fragilizando bastante. Deprimiu-se e sofreu quatro enfartes, até que faleceu em 71, aos 40 anos.

Nazaré tinha apenas quatro anos quando o perdeu. Mas, ao longo da vida, graças à presença da voz narradora da mãe, pôde apropriar-se da sua memória familiar: “Mesmo no hospital e debilitado, ele estava atento ao que se passava à sua volta. Pedia para minha mãe que levasse os livros e gibis dos filhos para as crianças internadas lerem. O partilhar era um grande valor em sua vida”, avalia.

A família permaneceu no Rio até 79, quando Maria Lúcia cumpriu o período de cassação e voltou para o Acre. Em 82, lançou-se candidata a deputada federal e não se elegeu. Foi então convidada a assumir a Fundação do Bem-Estar Social do Acre.

Nessa época, viajou com frequência ao interior do estado, muitas vezes acompanhada da filha, então adolescente. Experiência riquíssima para a formação humanista de Nazaré e peça fundamental para a composição de seu quebra-cabeças pessoal: “Eu entendi o sonho de meu pai: dar cidadania a quem nem tinha noção de que era cidadão. Foi ali que eu fiz um compromisso de vida”, conta.

Em 86 a incansável Maria Lúcia se candidatou novamente a deputada federal e venceu. De volta à capital federal, Nazaré estudou Direito na Universidade de Brasília (UnB).

O tempo mostrou-se um aliado. Entregou-lhe conquistas e superações. Procuradora do Estado do Acre há 20 anos, Nazaré se aproximou das ações de governo, até que assumiu a subchefia da Casa Civil, na primeira gestão do governador Tião Viana. Também construiu uma família: é casada e mãe de uma moça.

O passar dos anos trouxe reparações também. Em 2014, a Assembleia Legislativa do Acre anulou a cassação do mandato de José Augusto. O Estado registrava, então, uma correção histórica.

Este mês, durante as férias do governador, sua filha chefiou, pela primeira vez, o Executivo no Estado. Com um trato franco e gentil, a bela Nazaré – como não reparar? – afirma que faz questão de dedicar o olhar e o tratamento do feminino para as questões governamentais. Afinal, aprendeu em casa que essa competência, que tanto tem a ver com a atitude de cuidado com o outro e com o entorno, é cada vez mais necessária ao mundo.

Sua experiência de vida é, aliás, o grande propulsor de sua expressão social. “Depois de tudo o que minha família já atravessou, imagine a minha emoção ao receber o convite de Tião Viana para assumir agora esta responsabilidade”, diz. E arremata: “Tudo o que vivi dá significado a este momento. Temos desafios enormes, mas trabalhar neste projeto me deixa muito feliz, porque nele minha emoção está unida com a razão”.

 (Foto: Sérgio Vale/Secom)

[Agência de Notícias do Acre] 


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.