Por semelhança, irmã de Marina Silva e "caçada" nas ruas

A ex-seringueira Maria Lúcia Silva do Nascimento, 55, casada, mãe de quatro filhos e avó de seis netos, nas últimas duas semanas tem sido "caçada" na zona rural e nas ruas de Rio Branco (AC) por repórteres brasileiros e estrangeiros do Wall Street Journal, Globo, Folha de S. Paulo, Le Monde, Der Spiegel, O Estado de S. Paulo, Globo News, TV Record e Veja.
Irmã e sósia da candidata à Presidência pelo PSB, Maria Lúcia costuma ser confundida com Marina Silva por onde passa. É comum receber abraços e pedidos de autógrafos. O embaraço aumenta quando nega, com a mesma voz aguda de Marina, que não é Marina.
Além de Marina, Maria Lúcia é irmã de Deuzimar, Maria Aurilene, Maria de Jesus, Maria Elisete, Maria do Socorro e Arleir, o único homem da família. Ela mora há dez anos no Taquari, um bairro pobre de Rio branco, com alto índice de violência, que costuma ser atingido por alagamentos durante as cheias do Rio Acre.
Diferente da irmã presidenciável, Lúcia foi apenas alfabetizada. Trabalha como dona de casa e congrega na Assembléia de Deus, assim como Deuzimar, a irmã mais velha, que frequenta a mesma igreja há mais de 30 anos, bem antes da conversão de Marina. Outras três irmãs são da igreja Deus é Amor. Os dois homens da família, o pai Pedro Augusto da Silva, 87, e seu filho Arleir, se declaram cristãos e de vez em quando frequentam igrejas evangélicas ou católicas.
Familiares, amigos, aliados e adversários políticos de Marina Silva são procurados diariamente pela imprensa brasileira e estrangeira, mas a família tem evitado os repórteres por recomendação da assessoria de Marina.
No final da tarde desta terça-feira (9), na varanda de sua modesta casa, Maria Lúcia concedeu entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia com a condição de não falar sobre temas polêmicos da campanha eleitoral da qual a irmã participa. Abaixo, a entrevista:
Qual a lembrança mais remota que você tem de Marina?
A Marina foi criada por nossa avó, mas a gente morava muito pertinho. Nossas casas, na colocação Breu Velho, no seringal Bagaço, ficava a uns cem metros uma da outra. A gente passava o dia trabalhando e brincando. No final da tarde, ela ia pra casa de nossa avó. Então se despedia e a gente dizia: “Tchau, Marinô”.
Marinô?
Era como a gente chamava ela quando éramos pequenas. Era Marina e Marinô. “Tchau, Marinô”, a gente dizia no final do dia. E ela ia pra casa de nossa avó e nós pra nossa casa.

 

Fonte: Terra