Marina Silva diz que sofre campanha 'desleal' feita por PT e PSDB

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse neste domingo (7) que PT e PSDB, partidos dos seus principais adversários na eleição presidencial, se uniram, em uma “campanha desleal”, para atacá-la. A ex-senadora acusou as campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves de estarem recorrendo à "calúnia" e "difamação" para tentar desconstruir a imagem dela.


“Eu encontrei no interior da Bahia, no Rio Grande do Sul, no Acre e em qualquer lugar desse país: PT e o PSDB juntos, numa campanha desleal, que afronta a inteligência da sociedade brasileira, fazendo todo o tipo de difamação, de calúnia, de desconstrução do nosso projeto político e até mesmo da minha pessoa”, criticou Marina, durante coletiva na sede de seu comitê de campanha, em São Paulo.

De acordo com a presidenciável do PSB, os “boatos” lançados contra ela por adversários, em diversos pontos do país, visam a provocar nos eleitores dúvidas sobre suas condições de garantir a governabilidade, caso ela seja eleita, e também sobre a manutenção, durante seu eventual governo, de programas sociais como o Bolsa Família.

Segundo as últimas pesquisas Ibope (*) e Datafolha (**), Marina está empatada na liderança da corrida presidencial com a candidata do PT. A presidenciável do PSB ultrapassou o candidato tucano, que atualmente aparece em terceiro lugar nos levantamentos eleitorais.

Manifesto
Antes de conceder entrevista neste domingo, Marina leu um manifesto de seis páginas em comemoração ao Dia da Independência. No documento, ela também criticou o PT e o PSDB por, segundo ela, recorrerem a calúnias para atacá-la. O texto apresentado pela ex-senadora afirma que os adversários estão incomodados com a possibilidade de ver a polarização entre os dois partidos ser quebrada.


“Tanto representamos a mudança que a sociedade brasileira está assistindo um degradante espetáculo político inédito: PT e PSDB irmanados na determinação de nos destruir, não importam os meios. Desde o falso respeito e admiração no início da campanha até os ataques caluniosos diretamente proferidos pela nossa adversária do PT [Dilma] em sua propaganda na TV e a impressionante mobilização de exército de propagadores de calúnias, mentiras e distorções nas redes sociais”, diz o manifesto.    

“Não se conformam de ver a sua bem treinada e confortável polarização ser quebrada pela primeira vez em décadas”, completa o texto.
Lula
Marina também rebateu declarações feitas nos últimos dias pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia a reeleição de Dilma. A candidata do PSB diz que está sendo vítima do mesmo tipo de “preconceito e discriminação” sofridos por Lula.

“Nesse momento, estão usando os mesmos preconceitos contra mim. Talvez pelo fato de ser uma pessoa de origem humilde, filha de seringueiro, negra, tendo sido analfabeta até os 16 anos, uma pessoa que tem uma trajetória de vida que permite àqueles que usam do conceito como ferramenta política fazer a desqualificação”, disse ela.

Corrupção na Petrobras
Marina e o seu vice, Beto Albuquerque, saíram novamente em defesa de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo no dia 13 de agosto, e que, segundo reportagem publicada na edição deste fim de semana da revista "Veja", foi citado pelo ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimento à Polícia Federal, entre os beneficiários de esquema de pagamento de propina envolvendo fornecedores da estatal.
Ao ser questionada sobre um eventual impacto na campanha, Marina disse não temer que a verdade venha à tona.

“A verdade jamais atrapalhará uma campanha que se dispõe a passar o Brasil a limpo. Nós queremos as investigações. Nós não queremos é que prevaleça a estratégia leviana de que, antes que se tenha as informações e as apurações, já faça essa associação [com Eduardo Campos], esquecendo a grande quantidade de envolvidos que estão aí muito vivos e muito aptos para atuar destruindo e dilapidando o patrimônio público”, declarou.
Segundo Beto Albuquerque, o PSB já requereu acesso ao depoimento de Costa. “A gente lamenta o lançamento de um nome que não está mais aqui para se defender”, disse.
(*) O Ibope ouviu 2.506 eleitores em 175 municípios entre 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00514/2014.
(**) O Datafolha ouviu 10.054 eleitores em 361 municípios entre 1 e 3 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00517/2014.

 

Fonte: Globo