Pandemia de covid-19 agrava a crise política entre Bolsonaro e governadores

A urgência por ações que possam fazer frente à proliferação do novo coronavírus pelo país agravou o desentendimento político entre o presidente Jair Bolsonaro e governadores. Insatisfeitos com a atuação do Palácio do Planalto diante da crise, e ante à iminência de um colapso, principalmente na rede pública de saúde, por conta da Covid-19, estados têm se antecipado ao Executivo federal e agido por conta própria para tentar combater a expansão da doença. Mas não só isso. Governadores cobram mais celeridade do presidente da República, que, por sua vez, reclama dos chefes estaduais por adotarem “medidas extremas que não competem a eles”.

Ontem, ao menos três governadores subiram o tom contra Bolsonaro. No Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que decretou a suspensão das aulas e restringiu o funcionamento de parte do comércio como medida de precaução contra a disseminação do vírus, defendeu a atuação dos estados. “O que está em risco é a saúde da coletividade, e os exemplos mundiais, infelizmente, demonstraram que qualquer lapso de ação pode levar ao desastre”, respondeu.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também se manifestou. Após decretar situação de calamidade pública no estado, frisou que “estamos fazendo o que deveria ser feito pelo líder do país, o que o presidente Jair Bolsonaro, lamentavelmente, não faz, e quando faz, faz errado”. “Estamos fazendo o que ele (Bolsonaro) não faz, que é liderar processos, liderar a luta contra o coronavírus, não minimizar processos. Compreender a importância do respaldo da informação científica e da área da medicina e estabelecer diálogo e entendimento com prefeitos e governadores”, atacou.

Mas é o governador Wilson Witzel (RJ) o principal responsável pelo embate com Bolsonaro. Em uma das decisões mais extremas já tomadas no país desde a explosão de casos de Covid-19, ele publicou um decreto que pede o isolamento da cidade do Rio de Janeiro para transportes de passageiros, tanto por meios terrestres quanto aéreos. A medida, que depende de aval de agências reguladoras para entrar em vigor, também quer suspender voos internacionais e voos nacionais que saiam de estados com ocorrências de pessoas infectadas pelo coronavírus.

“São os nossos hospitais que serão impactados, e o governo federal ainda em passo de tartaruga. Só fiz o decreto para que o governo tome ciência das medidas e, de uma vez por todas, acorde. É preciso olhar para o Brasil como um todo e parar com essa atitude antidemocrática, conversar com os governadores. Porque o que vai acontecer daqui pra frente, definitivamente, depende muito do que o governo federal precisa fazer”, afirmou o governador do Rio de Janeiro.

No fogo cruzado de críticas, Bolsonaro defendeu a soberania do Executivo federal. Ele não concordou com as medidas que restringem a circulação de pessoas dentro dos estados e, principalmente, com o fechamento de divisas entre unidades da Federação. “Estão tomando medidas, no meu entender, exageradas. O pânico piora a situação do Brasil. Tenho que falar a verdade e transmitir tranquilidade ao povo brasileiro. Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas. Não compete a eles fechar aeroporto, fechar rodovias. O comércio para, e o pessoal não tem o que comer. O vírus, em alguns casos, mata. O vírus mata, sim”, ponderou.

Conflito

O presidente ainda direcionou-se especificamente para Witzel, e disse que “só falta ele declarar independência” do Rio de Janeiro. “Temos que tomar medidas equilibradas. E cada vez mais levam pânico. Fecharam o aeroporto do Rio de Janeiro. Não compete a ele, meu Deus do céu! Confesso, fiquei preocupado. Parece que o Rio de Janeiro é um outro país. Não é outro país. Você tem uma federação”, alertou Bolsonaro.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou o argumento do presidente. Comentou que as “decisões de interromper ou fechar fronteira são muito fáceis de serem feitas”, mas lembrou que “elas precisam ser muito precisas, muito pensadas e muito organizadas”. “Ainda há tempo de as pessoas pensarem nas consequências desses atos. No nível federal, nós estamos pensando e tomando com todo cuidado”, garantiu.

Mandetta ainda declarou que é hora de “os brasileiros entenderem o seguinte: nós estamos dentro do mesmo barco”. “A fronteira interestadual foi uma mera convenção que nós fizemos. Nós vamos ter que nos atender mutuamente. A regionalidade, para nós, é um mero desenho administrativo para que a gente possa conduzir esse país dentro de uma lógica, agora, de unidade nacional, e não dentro de uma lógica fragmentada que pode interromper cadeias de abastecimento que nos são muito preciosas”, destacou o ministro.

 

Correio Braziliense


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.