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Política

Aleac realiza sessão solene em homenagem ao Dia da Cultura Ayahuasqueira

09 de Agosto de 2018 às 16:34:51

Com a galeria e o plenário completamente lotados, a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou na manhã desta quinta-feira (9) uma sessão solene em homenagem ao Dia da Cultura Ayahuasqueira, comemorado em 24 de novembro.  A solenidade foi solicitada pelo deputado Luiz Gonzaga (PSDB), através de um requerimento aprovado por unanimidade pelos parlamentares.

Em pronunciamento, o deputado Luiz Gonzaga, que há 39 anos faz uso do chá, falou da sua alegria em homenagear um dia tão importante para a comunidade ayahuasqueira. Ele também agradeceu ao presidente da Aleac, deputado Ney Amorim (PT), pelo apoio para a realização da solenidade.

“Para nós, que somos ayahuasqueiros, este é um momento histórico, é uma alegria imensa recebê-los neste Parlamento. Agradeço demais ao presidente Ney Amorim por nos proporcionar este momento tão mágico.Eu já tinha tentado fazer esta homenagem em outras oportunidades, mas não tive êxito. Ney tem sido parceiro de todos os parlamentares, ele nunca fez divisão entre oposição e situação, esse é o seu diferencial”, destacou.

O deputado também agradeceu ao presidente Ney Amorim por ter sido autor do projeto de lei que criou o Dia da Cultura Ayahuasqueira. O PL foi sancionado pelo governador Tião Viana (PT) em 31 de julho deste ano. “Esse projeto reconheceu, sem dúvida, a seriedade do trabalho das entidades que fazem o uso religioso da ayahuasca. Agradeço demais ao presidente desta casa por ter sido autor de um projeto tão importante como esse”, frisou.

O parlamentar falou ainda dos obstáculos que a comunidade ayahuasqueira enfrentou para ser reconhecida. “Para chegarmos a este momento bonito e sem dúvida histórico tivemos que fazer uma longa caminhada. Lembro que teve um período em que deixamos de beber o chá por conta de uma lei que proibiu a distribuição. Graças a Deus, após vários estudos, o produto foi liberado e voltamos a comungar o chá. Hoje, graças ao trabalho realizado em 1992 pelo seu Ademir, a união entre os três troncos aconteceu. As três comunidades que comungam o chá atualmente se respeitam e convivem em harmonia”, salientou.

Onides Bonaccorsi, articuladora da Câmara Temática das Culturas Ayahuasqueiras de Rio Branco, falou sobre a importância da religião para promover a cultura de paz e respeito ao próximo. Disse também que o chá da ayahuasca tem um papel fundamental no tratamento contra a depressão e que várias pessoas buscaram a cultura para tratar problemas semelhantes a esse.

“A Câmara Temática de Culturas Ayahuasqueiras constitui um fórum de debates de diversas entidades, promovendo políticas públicas para o segmento e reafirmando o uso responsável da ayahuasca. Temos um profundo respeito pelos povos indígenas, representantes originais da cultura ayahuasqueira, guardiões desse tesouro espiritual que tem beneficiado inúmeras pessoas. Mesmo com o preconceito que infelizmente ainda existe, temos sido ensinados que serenidade, amorosidade e paciência são ferramentas valiosas para nos colocarmos com dignidade perante o mundo. Hoje é um dia feliz para nós” afirmou.

Para Jair Facundes, juiz federal e representante da Igreja Rainha da Floresta, a homenagem prestada pela Aleac à comunidade ayahuasqueira é um passo importante no combate ao preconceito. “Antigamente, parte da sociedade perseguia as pessoas que tomavam o chá.Infelizmente ainda vivenciamos esse tipo de coisa. Vencemos muitos obstáculos, mas o preconceito ainda existe. Receber essa homenagem de uma casa que representa a democracia é muito gratificante. Promover e proteger a diversidade da cultura é necessário e importante. O respeito é necessário, nós somos defensores do mesmo respeito, vontade e igualdade que as demais manifestações culturais têm”, destacou.

O desembargador Laudivon Nogueira, no ato representando a desembargadora Denise Bonfim, presidente do Tribunal de Justiça do Acre, falou da importância de se promover atos contra a discriminação. “Um estado constitucional contemporâneo precisa defender os direitos fundamentais.Mas não só defender, é preciso muito mais, temos que reconhecer, promover. Promover atos contra o preconceito é necessário, a cultura de um povo precisa ser reconhecida e respeitada. Com o poder público atuando nesse sentido, garantiremos o respeito às diferenças”, complementou.

Edson Lodi, jornalista e escritor, que participou do evento representando o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, agradeceu a homenagem feita à cultura ayahuasqueira e destacou sua alegria em receber o Título de Cidadão Benemérito do Acre durante a sessão solene.

“Hoje é um dia de luz e alegria, pelo lançamento do Dia Estadual da Cultura Ayahuasqueira. Daqui há alguns anos as pessoas verão o quanto essa data é importante. Com esse sentimento de alegria recebo também o Título de Cidadão Benemérito do Acre. A hospitalidade acreana é de um valor incalculável.Esse povo bondoso e fraterno, que sempre me acolheu e amparou. As virtudes que cultivo, devo à sinceridade e exemplo de homens e mulheres notáveis que pregam a paz e o respeito”, relatou.

Perpétua Almeida, ex-deputada federal, parabenizou o presidente da Aleac, deputado Ney Amorim, pela homenagem e reconhecimento da importância da cultura ayahuasqueira. Ela destacou o papel fundamental da religião para a disseminação da cultura de paz.

“Gosto de dizer que ajudei a contribuir para que chegássemos até aqui. Há uns 10 anos demos entrada no Congresso Nacional com um pedido de reconhecimento do uso da ayahuasca como cultura brasileira. Conversando com membros da UDV, chegamos à conclusão de que deveríamos celebrar os 50 anos da instituição. A cultura de paz disseminada por membros da ayahuasca é essencial até mesmo nas casas e na união das famílias. Saúdo o presidente Ney Amorim por este momento tão rico em nossa história”, saudou.

Zezinho Kaxinawá, representando os 16 povos indígenas que comungam a ayahuasca no Acre, frisou que mesmo que o chá tenha se expandido mundialmente o mesmo ainda não é visto com bons olhos pela sociedade. “A ayahuasca criou vários segmentos no mundo inteiro, mas o preconceito ainda é um problema para nós. Nós precisamos de mais respeito, o chá significa cura para o mundo, para a sociedade. Sobre o reconhecimento da cultura ainda temos um longo caminha a percorrer”, disse.

Francisca Campos Nascimento, a madrinha Chica Gabriel, foi uma das homenageadas durante a solenidade. Ela foi agraciada com o Título de Cidadã Acreana pelos relevantes serviços prestados ao Estado do Acre. O autor do PL que concedeu o título foi o deputado Daniel Zen (PT).

Foram homenageados (in memoriam) Mestre Daniel Pereira, Mestre Irineu Serra e Mestre José Gabriel da Costa.

A Madrinha Peregrina, Antônio Alves Leitão, Raimunda Joaquina, Edson Lodi, Getúlio Gabriel, Zezinho Kaxinawá, Luiz Máximo, Odaísa Alexandrina, Onides Bonaccorsi, Manoel Pacífico da Costa e Marcos Chaves Lessa também foram homenageados.

Ao encerrar a solenidade, o presidente do Poder Legislativo, deputado Ney Amorim (PT), destacou a grandiosidade do evento. “Este é sem sombra de dúvidas um dia muito especial. Tudo que eu disser agora se torna pequeno diante da grandiosidade deste momento. Esta foi a sessão mais prestigiada da qual eu participei. Olhando para a plateia eu percebi todos atentos a cada discurso feito aqui hoje. Ouvimos discursos lindos hoje, emocionantes mesmo. Agradeço de coração a presença de todos aqui hoje. Esta foi uma homenagem mais do que justa. ”

O que os deputados disseram:

Jenilson Leite (PCdoB)

“Nós estamos participando de um momento muito importante para a construção de uma sociedade melhor. A cultura ayahuasca é uma célula que serve de exemplo para semear a paz”.

Daniel Zen (PT)

“Esta é uma data que marca o compromisso desta legislatura com a luta e defesa dessas pessoas que continuam sofrendo preconceitos e discriminações”.

Manoel Moraes (PSB)

“Parabenizo o Ney Amorim, meu irmão, por esta festa. Nesses quatro anos recebemos todas as pessoas que nos buscaram, tentando compreender e tentar solucionar os problemas delas”.

 Jairo Carvalho (PSDB)

“Quero parabenizar todos da cultura ayahuasqueira, nós realmente precisamos disso, dessa união, desse respeito,independente de qualquer coisa. Precisamos amar uns aos outros e a nos respeitar. Esse é um dos maiores mandamentos que o livro sagrado nos ensina.Independente do sexo, do credo e da cultura, o respeito deve permanecer”.

 

Mircléia Magalhães e Andressa Oliveira

Agência Aleac




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