Mãe desesperada mantém filho acorrentado para livrá-lo das drogas em Feijó

Wanglézio Braga

“Tudo que estou fazendo é por amor ao meu filho”. Essa frase é de uma mãe, conhecida por “Lozinha”, que esconde no rosto a amargurada vida que vem levando em Feijó, cidade acreana de pouco mais de 32 mil habitantes e que fica a 365 km de distância de Rio Branco.

Seu filho, que chamaremos de Otávio, é usuário de drogas e alcoólatra. Ele entrou nesse mundo ainda na adolescência. Os dois vivem num casebre localizado no bairro Segundo Distrito – região periférica de Feijó.

Otávio vem sendo consumido de forma impiedosa pelas drogas. O rapaz não estuda mais, mal concluiu o ensino fundamental. Não trabalha e não consegue oportunidades de emprego.  Na tentativa de livrar o filho desse mundo e preservar a própria vida, dona Lozinha mantém o jovem amarrado e acorrentado em cima de uma cama.

Ela diz que já procurou diversas entidades como Ministério Público, Assistência Social do Município, Secretaria dos Direitos Humanos, bem como a justiça para conseguir interná-lo numa clinica de reabilitação para dependentes, mas sem sucesso, ela resolveu agir por conta própria.

A mãe relata que seu filho, quando está drogado, lhe espanca sem dor e piedade deixando vários hematomas pelo corpo. “Uma das tristezas é ver meu filho levando o pouco que temos em nossa casa para trocar por drogas. Eu não posso fazer nada além de lamentar e chorar”, diz ela comentando que a casa já está vazia e que parte dos eletrônicos já foram trocados por drogas.

E quando não tem mais o que trocar? Ela responde que “ele me pede dinheiro, como sou assalariada não tenho dinheiro toda a hora. Daí, ele fica enfurecido e me bate como se fosse um saco de pancadas até conseguir emprestado um trocado”.

Ainda não se sabe quantos usuários de drogas existem em Feijó. De acordo com dados do Governo Federal por meio da Confederação Nacional de Municípios (CNM) em seu “Mapa do Crack de 2014”, três municípios acreanos não utilizam o programa de combate ao crack entre eles Feijó.

A CNM alerta que quatro municípios (Feijó, Xapuri, Plácido de Castro e Porto Acre) foram classificados no alerta amarelo, ou seja, nível dos problemas relacionados a circulação de Crack é médio.

As cidades de Tarauacá e Manoel Urbano são os municípios classificados como baixo nível de problemas relacionados à circulação da droga. Nove municípios (Senador Guiomard, Sena Madureira, Jordão, Marechal Thaumaturgo, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Santa Rosa do Purus, Bujari e Porto Walte), ainda não se têm um diagnóstico do CNM.

 

Foto: Rádio Dimensão FM