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Suspeito de dirigir van de atentado em Barcelona é morto em confronto com a polícia

21 de Agosto de 2017 às 15:45:27

Younes Abouyaaqoub, um marroquinho de 22 anos que é o principal suspeito pelo ataque a Barcelona, na quinta-feira passada, foi morto a tiros pela polícia catalã.

Ele estava usando um falso colete com explosivos durante o confronto, que teria ocorrido em uma estrada na região de Subirats, a 40 km a oeste da capital da Catalunha.

Abouyaaqoub é apontado como sendo o motorista da van que deixou pelo menos 13 mortos e dezenas de feridos ao avançar sobre pedestres no calçadão da movimentada área turística de Las Ramblas.

Citando fontes na polícia, alguns jornais dizem que ele teria gritado "Allahu Akbar" ("Deus é o Maior") durante o confronto.

Fuga e assassinato

Em uma entrevista coletiva, a polícia divulgou que Abouyaaqoub fugiu a pé do local do ataque até roubar um carro. Imagens de câmeras de segurança mostraram ele caminhando por uma região da cidade pouco depois do atentado.

Outras imagens, divulgadas pelo jornal espanhol El País, mostram o suspeito, de óculos escuros, andando no mercado de La Boqueria, enquanto pedestres se afastam de Las Ramblas.

Cerca de 90 minutos depois do atentado, Abouyaaqoub fugiu para um distrito universitário de Barcelona. A polícia investiga a possibilidade de ele também ter matado um espanhol a facadas para roubar-lhe o carro - duas horas após o ataque, Pau Pérez, de 34 anos, foi encontrado morto em seu veículo; o homem é a 15ª vítima fatal confirmada dos dois ataques na Espanha.

No automóvel, Abouyaaqoub teria passado por uma blitz e, depois, abandonado o veículo. A polícia acreditava que ele poderia ter cruzado a fronteira com a França.

Havia uma ordem de prisão contra ele em toda a Europa inteira, segundo autoridades. A polícia tinha pedido a ajuda do público para obter informações sobre seu paradeiro.

Ataques sucessivos

Horas depois do ataque em Las Ramblas, uma mulher morreu em um segundo atentado na cidade de Cambrils - onde a polícia matou os cinco homens que estavam em um carro que avançou sobre pedestres.

Esses dois ataques estariam ligados a uma explosão ocorrida na cidade de Alcanar, que deixou uma casa completamente destruída e dois mortos - encontrados nos escombros. A polícia diz que as pessoas na casa estavam preparando explosivos para um ataque.

Quatro pessoas foram presas, e os suspeitos de envolvimento nesses três incidentes faziam, segundo as autoridades, parte de uma célula terrorista com 12 pessoas; dessas, apenas Abouyaaqoub estava foragido. As outras, ou estão presas ou foram mortas.

 

Câmeras de segurança

A mídia francesa divulgou que o veículo usado em Cambrils tinha sido registrado por câmeras radares de velocidade na região francesa de Essonne na semana anterior.

Imã envolvido

Há ainda informações de que um imã (clérigo islâmico) de Ripoll, na Espanha - onde viviam Abouyaaqoub e outros suspeitos -, pode ter recrutado jovens para a causa extremista.

Hecham Igasi, pai de Mohamed e Omar Hychami, mortos pela polícia em Cambrils, disse estar davastado e acusou o imã Abdelbaki Es Satty pela radicalização de ambos.

Satty seria um possível líder ou organizador da célula terrorista de 12 pessoas, segundo o repórter da BBC Gavin Lee. O imã aparentemente deixou a mesquita local em junho para uma viagem ao Marrocos, mas seu colega de apartamento contou à BBC que ele foi visto em Ripoll na última terça-feira.

Segundo a polícia, ele pode ter morrido na explosão da casa em Alcanar, na quarta-feira. O grupo terrorista aparentemente estaria planejando três ataques coordenados usando bombas caseiras - foram encontrados cerca de 120 botijões de gás no local.

A mídia espanhola disse que o imã passou um período na prisão e que lá conheceu prisioneiros envolvidos com o ataque a bombas contra trens em Madri, em 2004, quando 191 pessoas foram mortas.

Ele também passou cerca de três meses na Bélgica, onde buscava trabalho. Passou por exemplo por Vilvoorde, uma pequena cidade de 42 mil habitantes de onde mais de 20 jihadistas partiram rumo à Síria em 2014.

O prefeito de Vilvoorde, Hans Bonte, informou que o imã esteve na cidade entre janeiro e março de 2016, e foi rastreado pela polícia. Mas afirmou que à época ele não parecia representar uma ameaça.

O autoproclamado Estado Islâmico reivindicou a autoria do ataque de Las Ramblas, embora não esteja claro se os envolvidos estavam diretamente conectados ao grupo extremistas ou se simplesmente se inspiraram nele.

 

 

BBC




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