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Meio Ambiente

Os saberes da floresta que atraem pesquisadores de todo o país

29 de Dezembro de 2016 às 08:45:03

A Terra Indígena Nova Oliva, localizada às margens do Rio Envira, em Feijó, é composta por cinco aldeias, onde vivem cerca de 500 índios da etnia Kaxinawá (Huni Kuin).

Um dos orgulhos dos moradores das aldeias é o esforço que faz a comunidade para manter as tradições, ritos, crenças e saberes que são passados de pai para filho e fazem parte do arcabouço cultural do povo indígena Kaxinawá.

Um dos saberes importantes para a saúde das aldeias é o conhecimento tradicional das ervas medicinais, já que a farmácia do índio é a própria floresta. É lá que são colhidos pelos pajés as folhas, frutos e raízes que são usados para curar as doenças que acometem os índios.

E esse saber tradicional tem despertado a atenção de pesquisadores de várias partes do país.

Um dos trabalhos desenvolvidos na comunidade resulta de uma parceria envolvendo entidades como a Universidade Federal do Acre (Ufac), o governo do Estado, a Embrapa, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e universidades de outros estados, com o objetivo de pesquisar as propriedades de ervas medicinais encontradas na região.

O trabalho de coleta das ervas medicinais é repassado de pai pra filho e é desenvolvido pelos pajés e parteiras da comunidade (Foto: Leônidas Badaró)

Trabalho de coleta das ervas medicinais, repassado de pai para filho, é desenvolvido pelos pajés e parteiras da comunidade (Foto: Leônidas Badaró)

O projeto de pesquisa é coordenado pelo professor da Ufac Frederico Costa, que conta como esses estudos, que se beneficiam do saber tradicional de pajés e parteiras das aldeias, retornam para a comunidade. “Na verdade o foco principal do projeto é a comunidade. A gente entende que todo esse conhecimento científico provém do saber tradicional. O levantamento de espécies anti-inflamatórias, por exemplo, vai se transformar em uma cartilha bilíngue (português-língua Kaxinawá).

Outro retorno que pode ser benéfico para a comunidade é a instalação de uma farmácia viva na Terra Indígena. O programa, criado pelo governo federal, tem como finalidade distribuir à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), medicamentos fitoterápicos.

Ana Maria Soares, coordenadora de uma farmácia viva em Ribeirão Preto (SP), visitou a Terra Indígena, e com ajuda dos pajés da região colheu amostras das espécies mais utilizadas nas aldeias. “A farmácia viva é uma unidade de produção de plantas medicinais na qual se planta, colhe, seca e produz o medicamento.”

A pesquisadora conta como foi a experiência de conhecer a aldeia. “Esses dias aqui têm sido uma experiência sensacional. O saber tradicional é imbatível. A ciência não anda sem ele. Nós, que estamos na academia, precisamos ir até essa fonte extraordinária de sabedoria, para que sejam desenvolvidos no futuro novos medicamentos. Esse ambiente aqui é que guarda esse patrimônio genético fantástico.”

Manoel Kaxinawá é pajé na Aldeia Nova Olinda e responsável pela saúde da população indígena (Foto: Leônidas Badaró)

Manoel Kaxinawá é pajé na Aldeia Nova Olinda e responsável pela saúde da população indígena (Foto: Leônidas Badaró)

Manoel Kaxinawá, há 40 anos, é um dos pajés responsáveis pela saúde da população das aldeias. “Aprendi com os mais idosos aqui da aldeia. Acompanhava a coleta das ervas no mato e aprendi a conhecer cada planta e sua serventia. As plantas são muito importantes para curar as doenças do nosso povo. Fico feliz que o nosso saber esteja atraindo esses pesquisadores para nossas aldeias”, afirma.

 

Agência




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