O Rio Branco

Hoje é 20 de Julho de 2017

Meio Ambiente

Governo solicita revisão de dados sobre taxa de desmatamento no Acre

02 de Dezembro de 2016 às 08:42:24

Apesar de ainda não serem os dados finais, apenas uma prévia de um estudo que será concluído somente no primeiro semestre de 2017, o governo do Estado, por meio de órgãos ambientais de sua estrutura, solicitou ao Instituto Nacional Pesquisas Espaciais (Inpe) a revisão dos números divulgados na terça-feira, 29, sobre o desmatamento na Amazônia e no Acre.

Segundo o Inpe, a taxa de desmatamento para a Amazônia indica um aumento de 29% em relação ao período anterior (2015), gerando um total de 7.989 km² de área desmatada. Os dados são apenas estimativas – metodologia utilizada pelo instituto, que analisa uma amostra do total de imagens de satélite disponíveis.

O Estado desenvolve uma política de produção com base na sustentabilidade (Foto: Arison Jardim/Secom)

Estado desenvolve uma política de produção com base na sustentabilidade (Foto: Arison Jardim/Secom)

A política ambiental do Acre tornou-se referência para diversos países. O Estado foi o primeiro governo subnacional a receber compensação por resultados na redução de emissões de carbono.

O sucesso da política de baixa emissão de carbono é reflexo da redução da taxa de desmatamento no Acre, que, segundo os estudos do Inpe, nos últimos 11 anos (2004 a 2015) foi de 64%.

As ações de comando, controle e fiscalização ambiental, associadas à implementação de políticas para agricultura familiar, que fomentam e intensificam do uso de áreas degradadas de maneira sustentável, resultaram na redução em 15% do desmatamento ilegal em 2015.

“Nós temos políticas ambientais consolidadas, com resultados concretos. Por isso, entramos com o pedido de verificação e avaliação dos dados e metodologias aplicadas junto ao Inpe. Falhas são naturais, por isso questionamos e orientamos a releitura das imagens”, explicou o secretário de Estado de Meio Ambiente, Edegard de Deus.

Por que a releitura deve ser feita?

Em 2003, o Acre apresentou um índice de desmatamento ilegal alto, segundo leitura preliminar do Inpe. Posteriormente, foi constatado que áreas que haviam sido consideradas desmatadas eram de florestas de bambus secas – a planta possui ciclos, e após atingir sua expectativa de vida, florescer e produzir sementes, morre.

As áreas de bambu foram lidas como degradadas e geraram um aumento distorcido do índice desmatamento. Após vistoria e constatação do fato, o órgão revisou e corrigiu o dado.

Em 2016, o estado vivenciou a maior seca dos últimos 46 anos. As ações de prevenção, combate e controle do desmatamento e queimadas foram intensificadas.

Durante operação dos órgãos ambientais em Tarauacá, foi possível constatar que áreas identificadas pelos satélites como desmatadas na realidade não passavam de lagoas que haviam secado em decorrência do forte período de estiagem.

Os fatos associados às políticas públicas ambientais do Acre levam o Estado a solicitar a revisão dos dados divulgados recentemente.

Agência




Compartilhar