Gladson diz que Governo não é a favor do desmatamento da floresta

Missão internacional está no Acre para avaliar projetos executados na área socioambiental e planejar novas iniciativas para o futuro

O governador do Acre, Gladson Cameli, recebeu na manhã desta segunda-feira, 20, representantes do Banco de Desenvolvimento Estatal Alemão KFW, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), da Embaixada Alemã e do Governo do Reino Unido para avaliar os projetos executados na área socioambiental com foco no desenvolvimento sustentável e planejar novas ações que serão executadas nos próximos anos.

Durante sua fala, Cameli afirmou que o Acre vive um novo momento de sua história. Com foco na geração de emprego e renda, o governador descartou qualquer possibilidade que associe sua gestão ao desmatamento ilegal. Cameli foi categórico ao dizer que é possível alcançar a prosperidade econômica por meio do agronegócio sem derrubar a floresta.

Atualmente, o Acre possui 87% de sua cobertura vegetal intacta. Está entre os Estados brasileiros que mais preserva suas florestas. Gladson explicou que é preciso aproveitar as áreas que já estão abertas e utilizar a tecnologia para ampliar e fortalecer a produção agrícola.

“Nosso Governo não é a favor que se acabe com a floresta e não trabalhamos com essa possibilidade. Queremos usar o potencial que nós já temos para que possamos nos tornar um Estado produtivo, que gere emprego e renda para o nosso povo. A continuidade desta parceria vai ser fundamental para que possamos alcançar esse objetivo”, argumentou.

Segundo o delegado da Cooperação Internacional da Embaixada Alemã, Simon Triebel, 400 milhões de euros(R$ 1,8 bilhão) serão aplicados na preservação das florestas tropicais e o Acre terá prioridade para o recebimento de parte destes recursos.

“Esta cooperação com o Acre é muito importante para nós e esta mudança de governo é uma boa oportunidade para uma avaliação. Estamos aqui para fazer isso e avançar em quatro áreas de nosso interesse. A primeira delas é a preservação da floresta, o uso sustentável, o combate ao desmatamento ilegal e liberar financiamentos que contribuam com o desenvolvimento local”, destacou.

“Para nós, o que mais interessa nisso tudo é o impacto transformador que isso tem na vida das pessoas e poder aplicar estas experiências em outros lugares. Queremos continuar no alinhamento dessas agendas, temos interesse em aprimorar esta parceria e também estamos aqui para aprender”, explicou a gerente de projetos São Paulo-Reino Unido, Katerina Trostman.

Somente nos últimos cinco anos, o Acre assinou contratos na ordem de 25 de milhões de euros (R$ 115 milhões) para o fortalecimento da proteção ambiental e projetos voltados para mudanças climáticas. Muitos destes convênios foram mal elaborados e mal aplicados pela antiga gestão e não cumpriram com o seu verdadeiro propósito original.

Para o presidente do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Carlito Cavalcante, o retorno do órgão para a estrutura governamental será fundamental para a prosseguir e aperfeiçoar os programas internacionais.

“Esperamos um novo impulso para ganharmos celeridade internamente e já estamos resolvendo problemas que estavam pendentes, como a volta do IMC e estamos confiantes nas implicações positivas que isso trará no encaminhamento deste arsenal institucional necessário ao bom desenvolvimento dos programas”, pontuou.

Programas REDD Early Movers

O programa REDD Early Movers é implementado no âmbito do Sistema Estadual de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa), que organiza de forma jurisdicional as atividades de compensação por boas práticas ambientais.

O Programa fornece pagamentos baseados em desempenho de redução de emissões de desmatamento verificadas, conduzindo um projeto piloto de REDD+ de acordo com as decisões assumidas na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (CQNUMC).

O primeiro acordo assinado com o Acre foi em junho de 2012, quando o programa foi lançado na Conferência Rio+20, se tornando o primeiro estado a receber financiamento baseado em resultados de redução de emissões verificadas. Em 2013 e 2014, foram desenvolvidos acordos, respectivamente, com o Equador e a Colômbia.

 

Agência