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Pronatec Campo muda vida de extrativistas no interior do Acre

15 de Maio de 2017 às 09:34:52

“Eu sempre digo que a educação é o que muda o ser humano”. A fala é do extratrivista Aldeci Cerqueira Maia, presidente da Associação da Resex Cazumbá-Iracema, localizada no município de Sena Madureira, no Acre. Há dois anos, ele acompanha e apoia, junto à instituição, um grupo de extrativistas que depois de participar de um curso oferecido pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), na modalidade Campo, decidiu investir em uma outra carreira: a de açaícultor. 

Ao todo, cerca de 20 extrativistas participaram dessa formação em 2015. Foi assim, então, que o açaí que dava em abundância na floresta da reserva, mas era utilizado em pouca escala para consumo, passou a ser a visto como um novo produto, uma nova fonte de renda. “Nós trabalhamos principalmente com a castanha-do-Pará, mas, além dela, também tem a seringueira e outros frutos da floresta. Temos óleo de copaíba, seiva de jatobá, muitas frutas, artesanatos e agora também o açaí. Foi depois do curso do Pronatec que eles despertaram para esse mercado e a partir daí começaram”, explica Maia.

O trabalho com o fruto tem dado tão certo que uma agroindústria foi montada para agregar valor ao produto. No mesmo local, cupuaçu, patuá, bacaba e buriti – frutas extraídas da floresta – também são processadas e tornam-se polpas comercializadas dentro da própria reserva e do município. 

O extrativista e açaícultor Elínio Soares é quem coordena na comunidade esse empreendimento. Ao lado dele, trabalham diretamente outras 12 pessoas. Indiretamente, cerca de 30 famílias estão ligadas a todo o processo. Ele conta que a produção de açaí em 2016 foi de 3 mil litros, mas que a reserva tem um potencial muito maior. Nesse ano, um contrato com a prefeitura local foi assinado para que o fruto seja fornecido para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Vai compor, assim, o cardápio das escolas. “A gente sabe que tem muito açaí, mas estamos incentivando os moradores a plantarem também. Esse ano a gente espera colher em torno de 5 mil litros até mesmo para fornecer para a merenda”, diz o açaícultor.

Formação

O coordenador do Pronatec Campo na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), Thiago Lopes Cantalice, explica que em 2016 foram oferecidas 4.560 vagas no país, sendo que 400 vagas eram para o estado do Acre. Ele conta que essa modalidade trabalha com o público específico de agricultores familiares. “Assim, a lógica é de que o educando é, também, ao mesmo tempo, o educador, por ser uma pessoa que já está inserida na produção”, comenta. 

Em território acreano, os cursos do Pronatec são desenvolvidos pelo Instituto Federal do Acre (IFAC). O coordenador adjunto da pauta na instituição, Cleudo Araújo Farias, explica que para que os agricultores sejam beneficiados diretamente, é realizado um mapeamento. “Por essa avaliação, são escolhidos os cursos que podem ser oferecidos dentro dos perfis das comunidades”. 

Farias ainda reforça que os cursos são importantes para melhorar as produções dos agricultores, a qualidade de vida, assim como o nível de escolaridade, uma vez que as grades dos cursos além de terem matérias técnicas, também são compostas por disciplinas básicas como matemática e português. 

Na visão de um extrativista que já tinha uma profissão e hoje tem mais uma, Soares ressalta que o Pronatec: “Para quem vem de uma família tradicional que trabalha com a natureza, este é um conhecimento a mais”. Ele completa explicando que com isso pode se ver que o trabalho realizado não agride a floresta. “Nós conseguimos os produtos de maneira sustentável, eu acho que isso é o significado de ser um extrativista”, relata Soares. 

Na Resex Cazumbá, cerca de 20 cursos já foram oferecidos à comunidade pelo programa. Para Aldeci Maia, o extrativista que citou ao início deste texto que a educação é o que muda o ser humano, os cursos ajudam as comunidades a serem elas mesmas, a manterem suas culturas, tradições, modo de vida, só que de uma forma melhor. “Essa importância é muito grande, é a minha identidade. Ser um extrativista para mim é isso também, manter a minha identidade e a dos meus familiares”, finaliza.




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