Marina repudia Ministério por defender consumo de pescado atingido por óleo

Por Wanglézio Braga

A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora do Acre, Marina Silva (REDE), repudiou ontem (12) a defesa do Governo Bolsonaro por meio do Ministério da Agricultura, Pesca e Abastecimento (MAPA) sobre o consumo de pescado de áreas atingidas por óleo no nordeste brasileiro. A grande questão é que se ingeridos, poderiam provocar sintomas como náuseas, vômito, enjoo e problemas respiratórios.

Na nota publicada ontem (12), o ministério informa que "as 12 primeiras amostras" de peixes e lagostas coletadas entre 29 e 30 de outubro em quatro estados nos estados da Bahia (BA), Ceará (CE), Pernambuco (PE) e Rio Grande do Norte (RN) e analisadas em um estudo realizado pela PUC-Rio registraram baixo nível de 37 compostos de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA)  — um indicador da contaminação por derivados de petróleo .

“Esse é o tamanho da irresponsabilidade do governo. Comunica que o consumo de pescado está liberado, mesmo sabendo que a pesquisa que subsidiou essa decisão tratou apenas de pequenas espécies comercializadas por grandes empresas. Colocar em risco a saúde da população é muita imprudência”, escreveu Marina.

Ela aproveitou a postagem para lembrar que “o óleo já chegou ao estado do Espírito Santo e o governo continua tratando o maior desastre ambiental da costa brasileira com descaso e improviso”.

CRISE NA BOLÍVIA

Ao longo dessa semana, Marina Silva também comentou sobre os episódios da crise política no país vizinho, a Bolívia. Ela disse que “a situação da Bolívia é dramática e preocupante” e que “a democracia independe da coloração de governos, seja para se manter um governante ou para substituí-lo”.

Marina também comentou que “o povo boliviano precisa reencontrar seu caminho de forma pacífica, com eleições livres e soberanas, sem qualquer intervenção estrangeira, para garantir a necessária e urgente estabilidade e legitimidade democrática”.

“A perseguição de adversários políticos na Bolívia, os incêndios criminosos nas suas casas, e a imposição de mudanças por meio da violência devem ser repudiadas com veemência. A escolha pela barbárie é um ultraje abominável e covarde contra a dignidade de um povo. Repito: o povo boliviano precisa reencontrar seu caminho de forma pacífica, com eleições livres e soberanas, sem qualquer intervenção estrangeira, para garantir a necessária e urgente estabilidade e legitimidade democrática”, escreveu.