Comunidade Huni Kuin é a segunda contemplada com programa Lixo Zero na Aldeia

Antonio Muniz

A comunidade indígena Huni Kuin, na  Aldeia Altamira, no Rio Tarauacá, em Jordão, que até 1992 era Distrito de Tarauacá, é a segunda a ser contemplada com o Programa Lixo Zero na Aldeia. A primeira foi  a tribo Yawanawá do Mutum, ás margens do Rio Gregório, em Tarauacá, praticamente na mesma região. Jordão e Danta Roda do Purus são os  municípios acreanos cm maior percentual de povos indígenas.

O ambientalista Paul Masterson, do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), coordenou as ações preliminares na referida comunidade, no início deste mês.  Segundo ele, foram realizados Workshop por três dias consecutivos para saber o que eles gostariam de produzir na aldeia como forma de melhorar a qualidade de vida dos 126 indígenas da aldeia.

Paul presenciou na aldeia uma vida bem diferente do ambiente urbano. Mas os índios não vivem mais os tempos da maloca – quando tudo era paz e sossego, sem doença, sem conflitos, sem homem branco – depois o tempo das correrias – quando foram invadidos e a correria toda começou – tempo do cativeiro – em que foram dizimados e escravizados, aí boa parte do conhecimento se perdeu.

Mas houve também o tempo da seringa, índio trabalhador, sem tempo de cultivar sua tradição, só trabalhar no seringal. Hoje, vivemos o tempo dos direitos, com muita luta  pela delimitação e devolução à posse de terras indígenas, reconhecendo sua tradição, saberes e idiomas, como forma de garantir direitos humanos de saúde, educação, saneamento e ais qualidade e vida.

Segundo Paul, a maior preocupação nesse primeiro momento é oferecer água limpa aos índios e retirar, de forma correta, o lixo da aldeia Por isso, segundo ele, foram construídos poços artesianos para garantir água sem contaminação e construídos cestos de lixo para a devida acomodação de resíduos.

O objetivo, segundo Paul é retirar de forma correta a produção de lixo da aldeia elevar os resíduos para a zona  urbana. O destino final será de responsabilidade da prefeitura. “Vamos continua monitorando o trabalho e no próximo ano voltaremos à aldeia para fazermos uma avaliação e darmos sequência ao trabalho”, afirma Paul.