Após censura, faturamento chega a triplicar em estandes na Bienal do Livro

O faturamento em alguns estandes na Bienal do Rio de Janeiro cresceu após a tentativa do prefeito Marcelo Crivella de recolher exemplares de uma história em quadrinhos que tem a imagem de dois homens se beijando.

O estande da editora Valentina, por exemplo, passou de R$ 12 mil em faturamento em 2017 para R$ 35 mil neste ano.

Cerca de 600 mil pessoas visitaram a Bienal neste ano, que ocorreu entre 30 de agosto a 8 de setembro. A estimativa da Bienal é que mais de 4 milhões de livros tenham sido vendidos. As informações são da Folha de São Paulo. 

A alta no faturamento não estaria relacionada apenas a livros com temática LGBT, mas a todos os títulos da feira. Alguns livros nesta temática, no entanto, registraram crescimento. As obras da editora Intrínseca tiveram alta de 18% nas vendas. Já seus livros LGBT registraram aumento de 100% a 600% nas vendas.

No sábado (7.set.2019), 100 mil pessoas passaram pelo evento, número o recorde de visitação nesta edição. Isso se deve também porque o youtuber Felipe Neto distribuiu 14 mil livros com temática LGBT como resposta à ação de Crivella, o que resultou em filas de visitantes para receber obras grátis.

Disputa judicial

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, cassou neste domingo (8.set.2019) a decisão emitida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que permitia a apreensão de livros na Bienal do Rio de Janeiro.

O ministro atendeu a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Ainda no domingo, o ministro Gilmar Mendes proferiu decisão semelhante ao analisar medida cautelar requerida pela organizadora da Bienal. A Prefeitura do Rio anunciou que recorrerá das duas decisões.

Entenda o caso

Na última 5ª feira (5.set), o prefeito Marcelo Crivella determinou o recolhimento de exemplares da história em quadrinhos “Vingadores, a cruzada das crianças”, por ter a imagem de 1 beijo entre dois personagens masculinos.

A organização da Bienal informou que não iria retirar os livros e que dá “voz a todos os públicos”.

Na 6ª feira (6.set.2019), os exemplares do livro que estavam à venda em diferentes estandes da Bienal se esgotaram em pouco mais de meia hora.

 

 

Poder 360