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Esportes

Copa da Rússia não empolga o brasileiro, aponta pesquisa

08 de Junho de 2018 às 10:04:49

Restando oito dias para a abertura da Copa do Mundo da Rússia, observa-se que o mundial a ser realizado na terra da vodka não despertou ainda o interesse da maioria do povo brasileiro. Pesquisa de opinião pública foi realizada pelo Instituto Paraná, entre os dias 24 e 25 de abril, para sentir o pulso dos torcedores. E os resultados não foram nada animadores. Dos 2.948 cidadãos entrevistados em 185 municípios dos 27 estados, 65% disseram não ter interesse na Copa do Mundo.

Pouco mais de 28% demonstraram uma falta de interesse total com o evento e 37,5% alegam dar pouca importância ao campeonato de seleções. Apenas 8% se dizem empolgados com o Mundial, sendo que a excitação predomina entre os mais jovens. 43% das pessoas entre 16 e 24 anos está ansiosa para a Copa do Mundo.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais e a credibilidade de 95%. O Brasil estreia diante da Suíça no próximo dia 17, às 13h Acre.

Rio-branquense pouco otimista

Em Rio Branco a ausência de ornamentação na grande maioria das ruas reflete muito bem o desinteresse dos rio-branquenses pelo mundial. O comercio, outro setor que ajuda a acelerar a empolgação do torcedor brasileiro com vitrines coloridas de verde e amarelo, também demonstra certa timidez pelo mundial a ser realizado na terra dos czares.

O estudante Gabriel Façanha, de oito anos, quase completou as figurinhas das páginas da Croácia. Foto/Manoel Façanha

Entretanto, um aspecto positivo da divulgação da Copa da Rússia tem sido o álbum de figurinhas do mundial. A peça contém 80 páginas bem ilustradas com figurinhas de atletas, estádios, símbolos, entre outros, totalizando 681 figuras. O álbum no mês de abril e maio virou febre nas ruas de Rio Branco, principalmente entre crianças e adolescentes. O Via Verde Shopping criou até mesmo uma sala especial para seus clientes trocarem figurinhas. Também é comum a troca de figurinhas pelos colecionadores do álbum na loja dos Supermercados Araújo da Isaura Parente (aos sábados à tarde) e também do Jarude Café (Supermercados Mercale).

Cronistas e sociólogo falam do desinteresse do torcedor

Na busca de identificar o desinteresse do torcedor brasileiro, em especial o acreano, pela Copa do Mundo da Rússia, o Jornal Opinião conversou com alguns cronistas esportivos, entre eles Kleiber Beltrão, presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace)e também como sociólogo Nilson Euclides.

Kleiber Beltrão

O experiente narrador esportivo Kleiber Beltrão

O experiente narrador esportivo Kleiber Beltrão, 72 anos, presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos (Abrace) e com formação no curso de economia e licenciatura plena em Matemática, justifica o desinteresse do torcedor brasileiro pela Copa do Mundo da Rússia a dois aspectos:

O primeiro, segundo ele, é avaliado sob o ponto de vista esportivo, onde o resultado da pesquisa é incoerente com relação ao desempenho da seleção na era Tite, reconhecido até mesmo pelos próprios adversários. Já o segundo ponto ele explica que está associado à insatisfação da sociedade em relação ao momento político, econômico e social que o Brasil atravessa no momento. O cronista disse que o desinteresse é uma forma de protesto em relação ao descaso do Governo no atendimento desses importantes segmentos.

Francisco Dandão

O cronista esportivo Francisco Dandão, 61 anos, fala da desconfiança do torcedor brasileiro

Com mais de 30 anos no jornalismo esportivo e hoje escrevendo duas vezes por semana para esse diário, o cronista esportivo Francisco Dandão, 61 anos, fez a seguinte avaliação sobre a desmotivação do brasileiro para o Mundial da Rússia. “Prestes a começar mais uma Copa do Mundo, os torcedores brasileiros não dão sinal algum de empolgação. Aquela euforia que fazia as ruas, muros e calçadas do Brasil se vestirem de verde e amarelo em outros tempos não existe mais. Pelo menos não nessa Copa. Apesar da brilhante campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, apesar do ótimo comando do técnico Tite e apesar da reconhecida competência do grupo de jogadores, a seleção não é mais o centro das atenções. Seria o trauma dos 7 a 1 para a Alemanha na Copa passada? Seriam as agruras sociais do povo brasileiro? Seria a avacalhação geral do sistema político nacional? A resposta, nesse momento, está envolta em densa névoa de possibilidades. Que os cientistas sociais entrem em campo!

Nilson Euclides

O sociólogo Nilson Euclides, 54 anos, um dos principais cientistas políticos do estado.

O sociólogo Nilson Euclides, 54 anos, um dos principais cientistas políticos do estado, acredita que vários fatores estão influenciando para o distanciamento do torcedor brasileiro da sua seleção de futebol. Euclides aponta a decepção da última Copa ocorrida no país (derrota de 7 a 1 diante da Alemanha), a falta de uma identificação do jogador brasileiro com clubes e torcedores locais (são negociados cedo para o exterior) e ainda a crise política e econômica que vivencia o país.

No entanto, o cientista político acredita que o cenário desmotivante do torcedor pode mudar durante o transcorrer do mundial caso a seleção canarinho consiga fazer grandes apresentações.

O sociólogo finaliza afirmando que jamais a seleção canarinho voltará a empolgar o torcedor brasileiro como ocorreu nos mundiais das décadas anteriores, isso justificado pelo efeito da globalização, onde os grandes clubes mundiais hoje são reverenciados por torcedores de várias partes do planeta. “Vivemos um momento de transição no futebol mundial”, opina o sociólogo.

Augusto Diniz

O jornalista Augusto Diniz diz que falta identidade do jogador brasileiro com o torcedor do seu país. Foto/Manoel Façanha

Com experiência na cobertura jornalística das Olimpíadas de Pequim (China) e visitas aos estádios da Copa da África do Sul, o jornalista Augusto Diniz, 50 anos, colaborador do Jornal Opinião (Giro Brasil) fez o seguinte comentário a respeito da pouca motivação do brasileiro para a Copa da Rússia. “O vexame na última Copa do Mundo no Brasil, quando tomou de 7 a 1 da Alemanha e depois perdeu da Holanda na disputa do terceiro lugar; todos os escândalos relacionados às obras do último Mundial no País; o caso Fifa envolvendo diretamente a CBF e seus parceiros; a falta de ligação cada vez maior do jogador brasileiro com o torcedor e o próprio país por que ele faz questão de ser vendido muito cedo para o exterior para conquistar sua independência financeira se lixando para o clube de formação; e a falta de bons jogadores referência dentro e fora de campo na seleção. Tudo isso virou uma barreira para o torcedor brasileiro mostrar interesse pela Copa”.

 

 

MANOEL FAÇANHA




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