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Esportes

Bolt diz que pressão e estresse pré-Rio o fizeram perder o prazer por correr

05 de Janeiro de 2018 às 11:17:23

Conquistar três medalhas de ouro nos Jogos do Rio tirou um peso das costas de Usain Bolt. Tricampeão olímpico dos 100m, 200m e do revezamento 4x100m, o jamaicano revelou nesta segunda-feira, antes da premier de lançamento do filme "Eu sou Bolt", que a carga de treinamentos e a pressão por resultados foi tão grande às vésperas do evento que ele havia perdido o prazer nas pistas.

- A carga de trabalho que tive antes da Olimpíada e até do Mundial de 2015 significava tanta pressão e estresse que já não era mais divertido. Mas agora esta pressão se foi. Estou muito mais relaxado e feliz para ir treinar porque sei que não será mais tão intenso – disse o atleta ao jornal britânico “The Guardian”.

Para o Mundial de 2015, Bolt se viu sem status de favorito pela primeira vez desde que se tornou um astro do atletismo. Enquanto o Raio lutava com lesões e resultados não tão animadores, o americano Justin Gatlin voava nas competições mundo afora. Nas finais dos 100m, a primeira das provas de velocidade individuais, Bolt superou o americano por apenas um centésimo. Depois, nos 200m e no revezamento, as vitórias foram mais tranquilas.

Para os Jogos do Rio, Gatlin mais uma vez iniciou uma temporada forte. Bolt, por outro lado, pouco competiu. E, durante a seletiva olímpica jamaicana, sofreu uma lesão na coxa que quase pôs em dúvida sua participação nos Jogos. Após tratamento intenso de fisioterapia, o recordista mundial conseguiu se recuperar a tempo e brilhou no Engenhão. Conquistou mais três ouros para a coleção – Gatlin foi prata nos 100m, mas sequer avançou à final dos 200m.

Usain Bolt medalha de ouro 100m Rio 2016 (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Usain Bolt com a medalha de ouro dos 100m da Rio 2016 (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

Para o Mundial de Londres, cenário da despedida de Bolt das competições oficiais, o jamaicano deve correr apenas os 100m. Por isso a carga de treinos está menor do que antes, focada apenas em um evento.

- Eu nunca quero perder. Sempre estarei preparado. Não importa o quanto eu relaxe eu ainda serei um competidor. Ainda não vou perder – disse.

Sobre os planos para quando se apresentar das pistas, Bolt afirmou no passado que não gostaria de tornar-se treinador. Por outro lado, demonstrou interesse em transformar a paixão por futebol em uma nova fase esportiva de sua carreira. No momento, no entanto, o caminho mais provável a se desenhar é um trabalho como embaixador do atletismo. Bolt teria inclusive conversado com o presidente da Federação Internacional (IAAF), Sebastian Coe, sobre esta possibilidade.

- Não quero simplesmente sair do esporte. Tivemos conversas, e eu disse a ele que amaria continuar como parte do esporte e promove-lo de qualquer forma possível. Também disse para minha equipe que preciso fazer mais trabalho de caridade. São as duas coisas em que estarei realmente focado depois de me aposentar – disse, ao “The Guardian”.

 

Globoesporte




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