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Rio Branco levará 5 anos para ser reconstruída

06 de Março de 2015 às 08:21:46

George Naylor

O prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT), concedeu na manhã de ontem, 05, uma entrevista pela TV Rio Branco (8), afiliada do SBT no Acre, durante o telejornal “Bom Dia Rio Branco”.  O líder político falou dos desafios, estratégias e todo o trabalho realizado pelas equipes do município, estado e do governo federal para atender as mais de 80 mil pessoas atingidas pelo transbordamento do maior caudal do Estado.

As informações oficiais mostravam que no final da tarde de ontem o nível do rio iniciava o processo reverso, e alcançou a marca de 18,25 m com tendência de continuar a vazante. Especialistas afirmam que essa é a maior tragédia natural da Região Norte.

 

Tragédia natural

O prefeito, visivelmente abalado com situação enfrentada pela população acreana da capital, iniciou a entrevista falando sobre os números alarmantes e toda a proporção que o trasbordamento do rio Acre tomou nos últimos dias.  Marcus Alexandre declarou não ter dúvidas de ser a maior tragédia enfrentada pelo município, e ainda não é possível calcular o tamanho do prejuízo e principalmente os danos deixados pela fúria das águas.

 

Precisamos da solidariedade e do apoio de todos. Sem dúvidas, estamos vivenciando o memento mais dramático enfrentado pela população acreana. Não existe, na história acreana, um nível fluvial que supere a marca de 2015, chegamos a 18,40m na tarde da última quarta-feira e tudo foi uma surpresa a água chegou em pontos que nunca tinha atingido alagando bairros que nunca foram tocados pela água”, comentou o prefeito.

 

Funcionamento da cidade

 

O jornalista, Astério Moreira, questionou o prefeito sobre a estratégia adotada para garantir a segurança da população e o funcionamento da cidade, fornecimento de energia, transporte público e bloqueio das vias do centro da cidade.

 

“Para garantir a segurança da população foi necessário interromper o fornecimento de energia em mais de 50 bairros dos 212 da capital.  Essa é uma situação que aflige a cidade toda. Outro ponto é o transporte público, que ficou comprometido por conta da alagação que alcançou o Terminal Urano e inviabilizou a circulação dos coletivos no local.  O governador do Estado, Tião Viana, é um grande parceiro e desde o primeiro momento que o rio começou a encher a estrutura governamental foi colocada a nossa disposição para atender a demanda das famílias”, declarou.

 

Medidas conjuntas

 

Outro ponto que entrou em pauta durante a entrevista foram as medidas conjuntas que foram adotadas para atender a demanda das mais de 80 mil pessoas que foram atingidas pelo trasbordamento do rio Acre. O município consolidou várias estratégias que estão sendo desenvolvidas para a realização dos serviços utilitários em parceria com o governo do Estado. Entre as ações estão as mudanças no trânsito e bloqueio de algumas avenidas no centro da cidade, transporte coletivo, coleta de lixo entre outros.

 

O prefeito, Marcus Alexandre, afirmou que existe um entendimento muito grande com a equipe do governo do Estado, que facilita o trabalho realizado pelo município. “Existe um trabalho estratégico em parceria com o governo do Estado e todas as medidas que estão sendo tomadas são conjuntas. Um exemplo foi o decreto do ponto facultativo até a próxima sexta. Não havia nenhuma condição da cidade funcionar normalmente. Outra decisão conjunta foi o  bloqueio do trânsito no centro por conta das pontes e principalmente pensando na segurança da população,” explicou o prefeito.

 

Escalas de trabalho

 

O trabalho realizado pelos voluntários, bombeiros, policiais militares e assistentes sociais também entrou em pauta. Questionado sobre o apoio que está recebendo dos voluntariados e equipes de apoio o prefeito, Marcus Alexandre, declarou que esse é um momento de muita solidariedade e toda a ajuda e esforços são necessários.

 

 “Estamos trabalhando dia e noite e contamos com a ajuda de mais de 2 mil voluntários, todo efetivo da Polícia Militar, do corpo de bombeiros, exército e  apoio das igrejas evangélicas e da comunidade católica. A nossa palavra de ordem neste momento é solidariedade”, declarou.

 

Ministro da Integração

 

O apoio do Governo Federal está sendo de fundamental importância para o trabalho desenvolvido durante o acolhimento das vítimas da alagação.

O Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, esteve no Estado por duas vezes durante a última semana com o intuito de acompanhar o trabalho e prestar o apoio necessário durante a maior tragédia natural enfrentada pela população acreana.

 

“O apoio do Governo Federal, através do Ministro, Gilberto Occhi, que esteve por duas vezes em Rio Branco, por determinação da presidência é de fundamental importância. Hoje, vamos receber os primeiros recursos enviados pelo governo federal que beneficiará diretamente essas famílias”, comentou o líder político. 

 

Acolhimento às famílias

 

Em números existem atualmente mais de 2700 famílias dividida em 27 abrigos públicos e estão sendo servidas aproximadamente 27 mil refeições diárias.

“Atualmente existem 9 mil pessoas nos abrigos e mais de 30 mil residências atingidas, afetando mais de 80 mil pessoas no Estado. Novamente quero agradecer de todo coração a solidariedade das pessoas que acolheram nas suas famílias que tiveram suas casas alagadas pela cheia”, resaltou.

 

Reestruturação da cidade

 

Com o primeiro sinal de vazante do rio Acre, as equipes do município já começam a pensar na estratégia de reestruturação dos bairros alagados e no tamanho do prejuízo que a força da água causou durante esse período.

“Hoje, foi a primeira vez em 15 dias que o nível do rio Acre apresentou a sua primeira vazante e esperamos que continue assim. A população pode ter certeza que no limite das nossas forças tudo que é possível está sendo feito para atender essas famílias.

Em relação à reestruturação dos bairros o prefeito declarou que o processo de revitalização é um processo complexo. “Esse é o momento mais difícil. Sabemos que várias ruas dos bairros que foram tomadas pelas águas, diante disso podemos imaginar o acúmulo de lixo e entulhos que vai ficar quando as águas baixarem. Já iniciamos o diálogo com o governo do Estado e vamos montar uma operação conjunta unindo as forças do Município, Estado, Exército Brasileiro e empresários. O intuito é mobilizar mais de 60 equipes para iniciar o processo de limpeza para as pessoas poderem voltar em segurança para as suas casas.

Finalizando a entrevista, o prefeito Marcus Alexandre, acrescentou que mais de 800 ruas foram atingidas e o trabalho de reconstrução dos danos é um processo demorado. “Ainda estávamos nos recuperando do dano das alagações passadas e o nosso esforço agora vai ser triplicado. Na minha experiência como engenheiro vamos demorar mais de 5 anos para reconstruir o que foi perdido. Neste momento, precisamos contar com a compreensão de todos, estamos passando pela maior tragédia natural enfrentada pelo Estado”, finalizou.

 




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