A histórica da Revolução de um povo que lutou para ser brasileiro

"Não é festa, é revolução!". Com essa frase dita ao comandante da Intendência boliviana em Xapuri (AC), Plácido de Castro deu início à terceira tentativa de tornar independente o território do Acre, no dia 6 de agosto de 1902, mesmo dia em que a Bolívia comemorava sua libertação do domínio espanhol.

Apesar do aniversário da Revolução Acreana ser comemorado no dia 6 de agosto, a luta dos brasileiros, vindos na maioria da região Nordeste do Brasil, para ocupar o território do Acre e torná-lo independente da Bolívia começou anos antes.

A “Guerra del Acre” (termo em espanhol) ou Revolução Acreana foi a disputa do povo que ocupava o Acre contra a Bolívia. No mês de julho de 1899 o embate foi iniciado com a proclamação da República do Acre por Luis de Arias, seu fim deu-se em 1903, quando os brasileiros que habitavam o Acre , sob o comando de José Plácido de Castro, venceram a disputa armada.

Com a assinatura do Tratado de Petrópolis (1903) ficou designado que a Bolívia cederia a área ao Brasil e em troca receberia uma boa quantia em dinheiro e a construção da estrada Mad Maria (Madeira-Mamoré).

A Revolução Acreana foi iniciada quando José Plácido de Castro, graduado gaúcho, foi mandado ao Acre pelo então governador Silvério Néri. Ele e seus homens dominaram a região, com exceção de Puerto Alonso, que manteve a resistência até o início de 1903.

Neste mesmo ano foi proclamada a Terceira República do Acre, apoiada pelo Barão do Rio Branco (Ministro do Exterior) e pelo presidente Rodrigues Alves. Assim, sob ordens do general Olímpio da Silveira, foi estabelecido um governo militar na região.

A Bolívia, por sua vez, mandou seu exército para enfrentar os invasores. Porém, antes que qualquer combate de grande proporção ocorresse, os diplomatas brasileiros e o governo boliviano resolveram a questão assinando um primeiro tratado, que foi posteriormente endossado pelo Tratado de Petrópolis.

Em novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis dava à Bolívia alguns territórios brasileiros do Mato Grosso, o equivalente a aproximadamente 206,62 milhões de dólares, se fosse em 2010, e a construção da estrada Mad-Maria, que ligava os rios Mamoré e Madeira. Com isso, a Bolívia poderia escoar sua produção regional de borracha.

Galvez e as Repúblicas Independentes do Acre

A primeira insurreição contra o domínio espanhol ocorreu em julho de 1899, quando o jornalista e diplomata espanhol Luís Galvez Rodriguez de Arias proclamou a República Independente do Acre. O governo de Galvez durou apenas 100 dias, pois, ele foi destituído do cargo pelo Exército brasileiro, que respeitando o Tratado de Ayacucho, assinado entre os dois países em 1867, considerava o Acre território boliviano.

Em novembro do ano seguinte, uma nova insurreição. Liderados pelo jornalista Orlando Correa Lopes um grupo de brasileiros tenta novamente proclamar a República Independente do Acre. O movimento, que ficou conhecido como "Expedição dos Poetas", devido o grande número de jornalistas e literatos que a compunham, foi facilmente expulso do território pelos bolivianos.

Independência

A chegada de Plácido de Castro ao Acre finalmente mudou a sorte dos brasileiros que desejavam se estabelecer no território. Quando Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros, invade a cidade de Xapuri e a toma das autoridades, dá início a última fase da Revolução Acreana. A fase mais sangrenta, que levou os seringueiros a pegar em armas e ir a luta contra os bolivianos.

Até hoje não é possível saber com clareza quantas pessoas morreram no conflito e qual lado teve mais perdas. Já que as histórias são divergentes. As fontes brasileiras aumentam a quantidade de vítimas brasileiras, diminuem a de vítimas bolivianas, aumentam o número de tropas bolivianas e diminuem a quantidade na tropa brasileira. E as fontes bolivianas fazem o inverso.

Os combates da Revolução Acreana duraram seis meses e terminaram janeiro de 1903 com a assinatura do Tratado de Petrópolis pelo qual o Acre passou a ser reconhecido como parte do Brasil.

Aprovado por uma lei federativa em 1904, o Tratado de Petrópolis foi regulamentado por um decreto presidencial de 7 de abril de 1904. Assim o Acre tornava-se parte do território do Brasil. O nome da capital acreana, Rio Branco, e os municípios Assis Brasil e Plácido de Castro são homenagens póstumas aos personagens envolvidos na questão dos tratados e da ocorrência da Revolução Acreana.

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A sequência dos conflitos

Tomada de Xapuri (6 de agosto de 1902)

Início da última e mais sangrenta fase da Revolução Acreana. Xapuri foi tomada pelo exército revolucionário acreano, sem o disparo de nenhum tiro.

1º Combate da Volta da Empresa (18 de setembro)

Tropas de Plácido de Castro são emboscadas e derrotadas na Volta da Empresa (atual Rio Branco) por um pelotão boliviano comandado pelo general Rozendo Rojas.

Combates do Telheiro e do Bom Destino (23 e 24 de setembro)

De Puerto Alonso (atual Porto Acre) partem ataques bolivianos contra os seringais Telheiro e Bom Destino, derrotados pelos revolucionários brasileiros.

2º Combate da Volta da Empresa (5 a 15 de outubro)

Plácido de Castro ataca de novo a Volta da Empresa, que tinha posição estratégica para o domínio do médio Rio Acre. Depois de dez dias de luta toma o povoado.

Combate do Bahia (11 de outubro)

De Xapuri, uma coluna revolucionária parte para o barracão do Igarapé Bahia, mas são atacados e derrotados pelos seringueiros e camponeses bolivianos que formavam a Coluna Porvenir.

Combates de Santa Rosa e Costa Rica (Novembro e dezembro)

Para consolidar o domínio do médio e do alto Acre, Plácido de Castro ataca povoados bolivianos às margens dos rios Abunã e Tahuamano, destruindo-os e vingando o massacre de brasileiros no igarapé Bahia.

Combate de Porto Acre (15 a 24 de janeiro de 1903)

Depois de seis meses de guerra, Plácido de Castro e seus seringueiros vencem o exército regular da Bolívia e tomam o quartel-general em Puerto Alonso. Foi a vitória definitiva da Revolução que tornou o Acre brasileiro.


Lavar as mãos
A lavagem deve ser feita frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização.


Não tocar o rosto
Evite encostar as mãos não lavadas na boca, nos olhos e nariz. Essas são as principais portas de entradas do coronavírus no organismo.


Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
O ideal é usar cotovelo ou lenço. Se utilizar papel, jogue fora imediatamente.


Usar álcool em gel
Se não houver água e sabonete para lavar a mão, use o álcool gel 70%, que é eficiente para matar o vírus e outras possíves bactérias.


Evitar contato se estiver doente
Quem está com sintomas de doença respiratória deve evitar apertar as mãos, abraçar, beijar ou compartilhar objeto. Se puder, fique em casa.

Usar máscara se apresentar sintomas
Quem está com sintomas como tosse e espirro deve usar máscara mesmo sem o diagnóstico confirmado de covid-19.