O Rio Branco

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Acre

A histórica da Revolução de um povo que lutou para ser brasileiro

06 de Agosto de 2015 às 09:04:43

"Não é festa, é revolução!". Com essa frase dita ao comandante da Intendência boliviana em Xapuri (AC), Plácido de Castro deu início à terceira tentativa de tornar independente o território do Acre, no dia 6 de agosto de 1902, mesmo dia em que a Bolívia comemorava sua libertação do domínio espanhol.

Apesar do aniversário da Revolução Acreana ser comemorado no dia 6 de agosto, a luta dos brasileiros, vindos na maioria da região Nordeste do Brasil, para ocupar o território do Acre e torná-lo independente da Bolívia começou anos antes.

A “Guerra del Acre” (termo em espanhol) ou Revolução Acreana foi a disputa do povo que ocupava o Acre contra a Bolívia. No mês de julho de 1899 o embate foi iniciado com a proclamação da República do Acre por Luis de Arias, seu fim deu-se em 1903, quando os brasileiros que habitavam o Acre , sob o comando de José Plácido de Castro, venceram a disputa armada.

Com a assinatura do Tratado de Petrópolis (1903) ficou designado que a Bolívia cederia a área ao Brasil e em troca receberia uma boa quantia em dinheiro e a construção da estrada Mad Maria (Madeira-Mamoré).

A Revolução Acreana foi iniciada quando José Plácido de Castro, graduado gaúcho, foi mandado ao Acre pelo então governador Silvério Néri. Ele e seus homens dominaram a região, com exceção de Puerto Alonso, que manteve a resistência até o início de 1903.

Neste mesmo ano foi proclamada a Terceira República do Acre, apoiada pelo Barão do Rio Branco (Ministro do Exterior) e pelo presidente Rodrigues Alves. Assim, sob ordens do general Olímpio da Silveira, foi estabelecido um governo militar na região.

A Bolívia, por sua vez, mandou seu exército para enfrentar os invasores. Porém, antes que qualquer combate de grande proporção ocorresse, os diplomatas brasileiros e o governo boliviano resolveram a questão assinando um primeiro tratado, que foi posteriormente endossado pelo Tratado de Petrópolis.

Em novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis dava à Bolívia alguns territórios brasileiros do Mato Grosso, o equivalente a aproximadamente 206,62 milhões de dólares, se fosse em 2010, e a construção da estrada Mad-Maria, que ligava os rios Mamoré e Madeira. Com isso, a Bolívia poderia escoar sua produção regional de borracha.

Galvez e as Repúblicas Independentes do Acre

A primeira insurreição contra o domínio espanhol ocorreu em julho de 1899, quando o jornalista e diplomata espanhol Luís Galvez Rodriguez de Arias proclamou a República Independente do Acre. O governo de Galvez durou apenas 100 dias, pois, ele foi destituído do cargo pelo Exército brasileiro, que respeitando o Tratado de Ayacucho, assinado entre os dois países em 1867, considerava o Acre território boliviano.

Em novembro do ano seguinte, uma nova insurreição. Liderados pelo jornalista Orlando Correa Lopes um grupo de brasileiros tenta novamente proclamar a República Independente do Acre. O movimento, que ficou conhecido como "Expedição dos Poetas", devido o grande número de jornalistas e literatos que a compunham, foi facilmente expulso do território pelos bolivianos.

Independência

A chegada de Plácido de Castro ao Acre finalmente mudou a sorte dos brasileiros que desejavam se estabelecer no território. Quando Plácido de Castro, à frente de um exército de seringueiros, invade a cidade de Xapuri e a toma das autoridades, dá início a última fase da Revolução Acreana. A fase mais sangrenta, que levou os seringueiros a pegar em armas e ir a luta contra os bolivianos.

Até hoje não é possível saber com clareza quantas pessoas morreram no conflito e qual lado teve mais perdas. Já que as histórias são divergentes. As fontes brasileiras aumentam a quantidade de vítimas brasileiras, diminuem a de vítimas bolivianas, aumentam o número de tropas bolivianas e diminuem a quantidade na tropa brasileira. E as fontes bolivianas fazem o inverso.

Os combates da Revolução Acreana duraram seis meses e terminaram janeiro de 1903 com a assinatura do Tratado de Petrópolis pelo qual o Acre passou a ser reconhecido como parte do Brasil.

Aprovado por uma lei federativa em 1904, o Tratado de Petrópolis foi regulamentado por um decreto presidencial de 7 de abril de 1904. Assim o Acre tornava-se parte do território do Brasil. O nome da capital acreana, Rio Branco, e os municípios Assis Brasil e Plácido de Castro são homenagens póstumas aos personagens envolvidos na questão dos tratados e da ocorrência da Revolução Acreana.

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A sequência dos conflitos

Tomada de Xapuri (6 de agosto de 1902)

Início da última e mais sangrenta fase da Revolução Acreana. Xapuri foi tomada pelo exército revolucionário acreano, sem o disparo de nenhum tiro.

1º Combate da Volta da Empresa (18 de setembro)

Tropas de Plácido de Castro são emboscadas e derrotadas na Volta da Empresa (atual Rio Branco) por um pelotão boliviano comandado pelo general Rozendo Rojas.

Combates do Telheiro e do Bom Destino (23 e 24 de setembro)

De Puerto Alonso (atual Porto Acre) partem ataques bolivianos contra os seringais Telheiro e Bom Destino, derrotados pelos revolucionários brasileiros.

2º Combate da Volta da Empresa (5 a 15 de outubro)

Plácido de Castro ataca de novo a Volta da Empresa, que tinha posição estratégica para o domínio do médio Rio Acre. Depois de dez dias de luta toma o povoado.

Combate do Bahia (11 de outubro)

De Xapuri, uma coluna revolucionária parte para o barracão do Igarapé Bahia, mas são atacados e derrotados pelos seringueiros e camponeses bolivianos que formavam a Coluna Porvenir.

Combates de Santa Rosa e Costa Rica (Novembro e dezembro)

Para consolidar o domínio do médio e do alto Acre, Plácido de Castro ataca povoados bolivianos às margens dos rios Abunã e Tahuamano, destruindo-os e vingando o massacre de brasileiros no igarapé Bahia.

Combate de Porto Acre (15 a 24 de janeiro de 1903)

Depois de seis meses de guerra, Plácido de Castro e seus seringueiros vencem o exército regular da Bolívia e tomam o quartel-general em Puerto Alonso. Foi a vitória definitiva da Revolução que tornou o Acre brasileiro.




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