O Rio Branco

Hoje é 17 de Outubro de 2017

Acre

Governo realiza saneamento ambiental em Santa Rosa do Purus

23 de Maio de 2017 às 08:20:33

Um novo conceito de cidade amazônica isolada está nascendo para Santa Rosa do Purus, Marechal Thaumaturgo, Jordão e Porto Walter. O governo está com uma grande ação cuidando do povo e das cabeceiras dos rios mais importantes do Acre.

As obras do Programa de Saneamento Ambiental e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser) levam qualidade de vida e saúde pública aos quatro municípios com maiores dificuldades de acesso, sem ligação por terra, com um investimento de R$ 100 milhões.

Santa Rosa do Purus terá suas obras iniciadas este ano. Será feita a ampliação da rede de água, construção de uma nova estação de tratamento e nova estrutura de captação. Isso garantirá produção suficiente para abastecer diariamente toda a cidade.

A outra etapa será a implantação da rede coletora de esgoto em toda a cidade, junto da construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), responsáveis pela destinação correta do resíduo sanitário na zona urbana. Além disso, serão pavimentados cinco quilômetros de ruas, garantindo que a cidade tenha acessos e vias com calçadas.

Para começar tudo isso, as máquinas e insumos precisam chegar ao município, e o único transporte possível é com balsas ou barcos. “Vale a pena conhecer esse nosso projeto e essa aventura fantástica que é levar de tão longe para comunidades tão preciosas o saneamento integrado”, convida o governador Tião Viana.

A cuidadosa navegação que leva o saneamento à Santa Rosa do Purus

Sobre a embarcação vão nove máquinas, cerca de 115 toneladas, prontas para começar as obras de saneamento ambiental integrado que o governo do Estado vai promover no município.

“Vai chover hoje, o sol está branco branco”, alerta Leôncio Ferreira, o comandante Careca. A navegação pelos rios da Amazônia deve ser precisa e o piloto tem que ter o olhar atento a bancos de areia, troncos e barrancos. “Outro dia uma balsa encalhou em cima de um cumaru ferro medonha. Demoraram cinco horas para conseguir sair”, relata.

Esse é o único caminho pelo qual podem ser enviados os equipamentos e todos os insumos necessários para qualquer obra em Santa Rosa. O rio é um meio de transporte peculiar, requer muito conhecimento e torna qualquer operação logística um verdadeiro desafio, o qual o governo do Estado tem enfrentado desde que começaram todas as obras de saneamento nos quatros municípios de difícil acesso: Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa.

Máquinas, cimento, brita, ferro, tijolos e outros materiais necessários para qualquer obra precisam chegar ao local e para isso é preciso aproveitar as oportunidades que o rio dá. Por quase seis meses, os rios da Amazônia ficam bem rasos, podendo ser atravessados a pé, por isso, os outros seis meses é a hora de mandar tudo que é necessário para os canteiros.

São nessas viagens longas, em grandes balsas, que equipes demonstram a importância da atenção e do conhecimento da natureza e dos caminhos que o curso d’água proporciona. Entre Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, na balsa Acre Juruna, três tripulantes vivem por quase dez dias essa jornada que é levar uma cidade em obras ao encontro de outra.

No fim de uma curva do rio, um dos perigos se aproxima. As águas baixaram e apenas uma opção de passagem fica disponível, mas descobri-la não é tão simples. Por um lado, as praias começam a aparecer. E por outro, troncos de árvores podem prender a embarcação. “Isso pode furar o casco da balsa ou quebrar as palhetas da hélice. Duas balsas já afundaram mais para cima por causa do rio ruim”, afirma o comandante, após descobrir o caminho certo a seguir e contar com a ajuda de uma retroescavadeira para desencalhar.

Determinação para mudar

Toda essa empreitada e grande operação logística são possíveis graças a uma determinação do governo do Estado: levar qualidade de verdade para todos os municípios do Acre.

“A decisão de levar saneamento para as cabeceiras dos rios não é apenas corajosa, é uma decisão ousada, assim o fez o governador Tião Viana”, afirma Edvaldo Magalhães, diretor-presidente do Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa).

O órgão é responsável, junto com a Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), pelo  Programa de Saneamento Ambiental e Inclusão Socioeconômica do Acre (Proser), financiado pelo Banco Mundial.

Com essa ação, o governo está levando saúde pública e dignidade para os moradores dessas cidades que por anos viveram isoladas. “Em Santa Rosa, nas cabeceiras do Rio Purus, vamos garantir saneamento e água para toda a comunidade, além da coleta e do tratamento do esgoto e acesso a pavimentação. Essa decisão vai mudar a vida da comunidade e seu índice de desenvolvimento será aplaudido pelo Brasil inteiro”, explica Edvaldo.

O empresário e proprietário da balsa Waldemar Moura é testemunha do quão importante o rio é para a transformação de um local. Trabalhou muitos anos como marreteiro [comerciante] ao longo dos rios entre a Vila Santa Rosa, onde nasceu, e a cidade de Sena Madureira. Começou o transporte com balsa em 1992, junto com a criação da cidade, quando comprou duas balsas em Manaus e fez seu primeiro transporte levando insumos e maquinários, pelo mesmo Rio Purus, para a construção de uma grande pista de pouso na cidade peruana Puerto Esperanza.

“Para Santa Rosa, isso é um progresso muito grande. Posso dizer que com essa ação a cidade vai renascer para um grande futuro”, afirma Moura.

Essa navegação transportando o maquinário e insumos é apenas a primeira etapa de uma grande obra, mas já demonstra o quão diferenciado é construir na Amazônia. Sempre atento a tudo que ocorre no rio e no rebocador que comanda, Careca também sente a importância do trabalho que tem feito nos últimos 20 anos. “A cidade ficaria isolada se não tivesse esse trabalho. Não ia ter nada na vida e estamos ajudando aquelas pessoas. Me sinto satisfeito, quando eu morrer isso vai ficar na história da minha vida”, afirma.

 




Compartilhar