Tenente da PM cruza a fronteira e manda recado aos manifestantes: ?Já toleramos muito?

Por Wanglézio Braga

Acompanhado de colegas da Polícia Militar do Acre e Policiais Federais, o Tenente da PM Januário, cruzou a ponte sobre o Rio Acre, em Epitaciolândia, no início da tarde de hoje (08) para mandar um recado direto aos manifestantes bolivianos e líderes dos grupos organizados contrários ao presidente Evo Morales. Januário informou que o lado do Acre não vai mais tolerar badernas e que em caso da ação da Polícia Nacional da Bolívia para desbloquear as pontes, o efetivo acreano vai rechaçar.

Januário, em nome da soberania brasileira, estabeleceu um limite na ponte e pediu para que os manifestantes não desrespeitem sob a possibilidade de forte ação da PM. O tenente falou diretamente com representantes do Movimento de Defesa da Democrácia apontados como líderes do movimento que bloqueou as duas pontes na fronteira do Acre como a Bolívia.

“Não é para os senhores passarem a linha da fronteira. Não passem. Em caso de ação da Polícia Boliviana não passem a linha porque terão resposta também. Esta foi a ordem que chegou para nós. De boa fé, estamos aqui, comunicando os senhores antecipadamente. Orientem o grupo de vocês de quem está do nosso lado, do Brasil, e não está transitando, não pode ficar sentado, olhando”, avisou.

Em determinado momento da conversa, Januário disse que a Polícia Brasileira foi bastante tolerante. “Nós já toleramos muito. Entendemos os movimentos e as demandas, mais não podemos ficar todo tempo esperando vocês. Vocês tem que resolver isso”, avisou sendo acrescentado por outro colega: “Nós do Brasil não podemos ser refúgio de vocês, durante essa manifestação”.  

Mais tarde, à imprensa o Coronel Januário voltou a reafirma: “Em caso de uma ação da Polícia Boliviana contra os manifestantes e esses ingressarem no nosso lado, eles também serão rechaçados. Já toleramos muito tempo a situação e que também não podemos permitir que permaneçam aqui por muito tempo. Por isso, esse primeiro momento é de informar o que pode acontecer, um segundo momento é reforçar a polícia para rechaçar também”.

Um dos lideres do Movimento da Democracia falou aos jornalistas que entende o posicionamento do Brasil em resguardar a sua soberania, mas que eles vão continuar no lado boliviano protestando. Ele lembrou ainda dos acordos do Mercosul que garantem movimentos em territórios de fronteira. Em seguida, o grupo amarrou uma corda na ponte limitando dos dois países.