MIAMI (Reuters) - Um desconhecido pastor evangélico norte-americano, cujo plano de queimar exemplares do Alcorão no dia 11 de setembro provocou grande condenação internacional, afirmou nesta quarta-feira que vai cumprir sua promessa, apesar da advertência do governo dos Estados Unidos de que o ato colocará em risco soldados norte-americanos no Afeganistão e no Iraque.
O pastor Terry Jones, líder de uma minúscula e pouco conhecida igreja protestante em Gainesville, na Flórida, tem enfrentado uma enxurrada de telefonemas do governo, dos militares e de líderes religiosos dos EUA - e do exterior - para que cancele o projeto de queimar em público o livro sagrado do Islã.
"Ainda estamos determinados a fazer isso sim", disse Jones ao programa "Early Morning," da CBS. Ele promove abertamente uma campanha contra o que chama de "Islã radical."
Ele afirmou que deseja que o evento de queima do Alcorão envie uma "advertência" ao que chamou de muçulmanos linha-dura, que, segundo ele, tentavam exercer influência sobre os EUA.
"Estamos enviando uma mensagem a eles de que não queremos que façam o que parecem estar fazendo na Europa", disse Jones. "Queremos que eles saibam que, se estão na América, precisam obedecer a nossa lei e constituição e não empurrar lentamente a agenda deles sobre nós."
O evento planejado para o novo aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA provocou condenação mundial e gerou protestos no Afeganistão e na Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo.
O anúncio também ocorre perto do fim do mês do Ramadã e em meio às tensões elevadas nos EUA pela proposta de construção de um centro cultural islâmico e de uma mesquita perto do local dos ataques ao World Trade Center, em Nova York.
Os que se opõem à obra dizem que ela é insensível às famílias das vítimas dos ataques promovidos pelo grupo militante islâmico Al Qaeda.
Com a cólera crescente no Afeganistão por causa da proposta de queimar o Alcorão, a polícia afegã entrou em alerta para mais protestos. A Organização das Nações Unidas classificou o evento de "horroroso" e o Vaticano também se uniu ao coro de críticas globais.


Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes