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Polícia pede prisão preventiva de namorada do goleiro Bruno, diz TV

Fernanda, que disse ter cuidado do bebê, foi indiciada na quinta (29) pelos crimes de homicídio, cárcere privado, formação de quadrilha, ocultação de cadáver e corrupção de menores


A Polícia Civil de Minas Gerais entrou na Justiça com pedido de prisão preventiva para Fernanda Gomes de Castro, namorada do goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, nesta sexta-feira (30), segundo informações da Globonews. Ela foi indiciada na tarde de quinta (29) pelos crimes de homicídio, cárcere privado, formação de quadrilha, ocultação de cadáver e corrupção de menores. O jogador e outros sete suspeitos do caso também foram indiciados, à exceção do adolescente de 17 anos.

Fernanda disse à polícia que cuidou do bebê de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro, por uma noite na casa do jogador quando ele estava concentrado para jogar contra o Goiás, no início de junho. No entanto, ela negou ter conhecido Eliza e afirmou que nunca teve contato com a jovem.

No entanto, a polícia não acredita nessa versão. "Ela encontrou a Eliza na casa do Bruno. Ela foi até lá a pedido do Macarrão (Luiz Henrique Romão, amigo do goleiro), para cuidar do bebê, e colocou uma camiseta no rosto para não ser reconhecida pela Eliza", disse Moreira na última semana.

Fernanda foi identificada pelo menor de idade, um dos primos de Bruno, como a mulher loira que ele disse ter visto tomando conta do bebê de Eliza enquanto a vítima e a criança eram mantidas em cárcere privado na casa do jogador no Recreio dos Bandeirantes.

Segundo informações da Globonews, o delegado chefe do Departamento de Investigações (DI) da polícia, Edson Moreira, disse que pediu para transformar a prisão temporária de todos os envolvidos no caso, que tem duração de até 30 dias, em preventiva, que não tem prazo para acabar.

O inquérito sobre o desaparecimento da ex-amante de Bruno, concluído na quinta (29), já foi entregue ao fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O documento de oito volumes, 1,6 mil páginas e três anexos traz transcrições telefônicas, exames periciais e resultados de exames de DNA feitos a partir de vestígios de sangue.

Procurada, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), disse que a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem, ainda não recebeu o inquérito.

Entenda o caso


A ex-modelo Eliza Samudio, de 25 anos, desapareceu no dia 4 de junho deste ano. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o processo de reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que a jovem dizia ser de Bruno Fernandes, goleiro do Flamengo.

No telefonema à advogada, Eliza avisou que iria a Minas Gerais encontrar o jogador. Segundo ela, Bruno havia concordado em fazer um exame de DNA.

Em 2009, a modelo tinha levado à imprensa do Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio do ano passado, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.

Em outubro, Eliza denunciou ameaças de Bruno, que a pressionava a abortar. A Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.

Em fevereiro deste ano, quando o bebê nasceu, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador.


Um mês depois, Eliza foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: "Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi". O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.

Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias do Rio e de Minas Gerais começaram as buscas por Eliza.

Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada "por subtração de incapaz" por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.

No dia 28 de junho, a polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno. O veículo havia sido retido no Estado por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.

A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão - mais conhecido como Macarrão, que é funcionário de Bruno.


No entanto, o garoto prestou depoimentos conflitantes sobre o caso para a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio.

O primeiro depoimento deflagrou o pedido de prisão temporária de Bruno e de Macarrão. Na ocasião, o adolescente contou que, após atacar Eliza dentro de um carro, ele e o funcionário do goleiro seguiram viagem diretamente para o sítio do jogador. O menor disse ainda que Bruno só teve contato com Macarrão e Sérgio (que vigiava Eliza no sítio) por duas horas.

Na segunda versão, o primo do jogador disse que, após o seqüestro, ele, Macarrão e Eliza foram primeiro para a casa do goleiro, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, onde ficaram por dois dias. Bruno não estava na casa, segundo o adolescente, pois se preparava com o time do Flamengo para uma partida do Campeonato Brasileiro naquele final de semana, mas depois encontrou o grupo em Minas e permaneceu lá por três dias.

A participação da esposa do goleiro no caso também sofreu alterações entre os relatos. No primeiro depoimento, o adolescente só a viu no sítio após o crime. Mas, na segunda versão, o menor de idade disse que ela já estava no local quando eles chegaram. Apesar disso, ele não confirmou a presença do casal no momento do assassinato de Eliza.

O ponto comum dos depoimentos é que Eliza foi levada do sítio do jogador para outro local, no município de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. Ali, Eliza teria sido entregue ao traficante e ex-policial civil Marcos Aparecido do Santos, conhecido também como Bola, Paulista e Neném. Ele teria sido o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.

O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo informações da polícia de Minas, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.

Bruno, sua esposa, e Macarrão, além de outras pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão temporária decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho. Já Bola, o ex-policial suspeito do assassinato, foi preso dois dias depois, em Belo Horizonte.

O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela polícia do Rio, pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.

 

 




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